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Política A Polícia Federal deu um banho de água fria na oposição e avisou ao Supremo que a investigação sobre Lulinha não vai avançar antes das eleições

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Lulinha é alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes e descontos ilegais em aposentadorias do INSS. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A Polícia Federal (PF) deu um banho de água fria na oposição e avisou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a investigação sobre Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha – alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes e descontos ilegais em aposentadorias do INSS –, não vai avançar antes das eleições de 2026. Não há chance, por exemplo, de o conteúdo da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser analisado este ano.

Obviamente que isso não está escrito literalmente. O recado está nas entrelinhas de um documento no qual a PF pede mais prazo para apresentar o Relatório Parcial Global da Operação Sem Desconto. E foi assim compreendido nos bastidores.

Atendendo a uma determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a Polícia Federal apresentou o documento para explicar a quantas anda a investigação da Sem Desconto. Segundo apurou a Coluna do Estadão, os delegados não responderam exatamente ao que Mendonça indagou sobre prazos e detalhamento de dados do material apreendido e analisado.

Passos lentos

A Operação Sem Desconto (do INSS) começou em abril do ano passado, seis meses antes da Operação Compliance Zero (do Banco Master). Mas anda a passos lentos em relação às conclusões periciais.

Até agora, teve nove fases, com mais de 400 mandados de busca e apreensão cumpridos. Foram confiscados dispositivos eletrônicos, documentos físicos e mídias digitais. Entretanto, os policiais examinaram menos de 38% do material.

O acervo inclui quase 1,7 mil itens, e faltam mais de mil para passar pela lupa da PF. A instituição estima que precisa de cerca de seis dias para analisar cada elemento. Ou seja, hoje, mesmo se todos os 11 policiais envolvidos na apuração estivessem mergulhados exclusivamente nesse escrutínio, seria necessário mais de um ano para concluir os trabalhos.

No documento, a PF avisou que apresentará, nos próximos dois meses, um calendário de análise e entrega de relatórios. Primeiramente, vai focar a averiguação de tudo o que for referente aos investigados que estão presos.

Depois, a atenção será voltada ao que foi coletado dos 30 investigados que cumprem medidas cautelares – como prisão domiciliar, monitoramento eletrônico, retenção de passaporte e bloqueio de bens. Nesse caso, são mais de 300 itens. Os delegados dizem que já pediram reforço na equipe e estimam que podem terminar essa fase em seis meses – após a chegada de novos integrantes ao time.

Somente depois de tudo isso é que os policiais federais vão compilar, cruzar e analisar dados e evidências dos sigilos e materiais apreendidos para preparar os relatórios de IPJs (Informação de Polícia Judiciária) dos demais investigados que não estão presos nem sob medidas restritivas. É nesse grupo que está Lulinha. Ou seja: ficou para o ano que vem.

Mudança

Integrantes da PF e do STF avaliaram que as alterações feitas na equipe da Operação Sem Desconto este ano também prejudicaram o andamento dos trabalhos. Em maio, a corporação trocou a coordenação do caso, retirando-o da divisão de crimes previdenciários e enviando a apuração para a Coordenação de Inquéritos dos Tribunais Superiores (Cinq).

A mudança tirou, por exemplo, o delegado que vinha comandando as investigações e que havia sido responsável por pedir a quebra do sigilo bancário de Lulinha ao STF. Na ocasião, a PF argumentou que a medida serviu para dar mais apoio à equipe, porque o Cinq possui uma estrutura voltada a conduzir operações sensíveis.

Ao cobrar respostas da PF, Mendonça também determinou a manutenção da equipe de investigação e das autoridades policiais que presidem o inquérito. O ministro deixou claro que qualquer alteração deve ser previamente comunicada para análise de justificativas. (Com informações de O Estado de S.Paulo)

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