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Brasil A Polícia Federal encontrou indícios de que Michel Temer recebeu mesada de 340 mil reais na década de 1990, quando era deputado federal

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O emedebista exerceu mandatos na Câmara entre 1987 e 2010. (Foto: Reprodução)

A PF (Polícia Federal) informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que vê indícios de pagamento de uma mesada de R$ 340 mil ao então deputado federal Michel Temer, no final da década de 1990, por parte de empresas da área portuária.

Dentre elas estaria a Rodrimar, cujos dirigentes são investigados junto com o atual presidente da República no inquérito que apura se houve edição de decreto em 2017 para beneficiar companhias do setor, em troca de propina.

A informação consta no pedido de 69 páginas da PF, do dia 15 de março, para a Operação Skala, com buscas e depoimentos sobre o caso. O documento ainda está sob sigilo. A operação foi deflagrada no dia 29 de março, com prisões de dois amigos de Temer para prestar esclarecimentos e apreensões de materiais nos endereços dele e das empresas portuárias.

O delegado Cleyber Malta Lopes cita, no documento, uma planilha que integrava o inquérito 3105, que foi arquivado em 2011 pelo ministro Marco Aurélio Mello. Essa tabela relacionava pagamentos a “MT”, que seria Michel Temer e a “MA”, que seria Marcelo Azeredo, indicado por Temer para comandar a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – estatal que administra o Porto de Santos.

Já a letra “L” seria uma alusão ao Coronel Lima, o oficial aposentado da Polícia Militar João Batista de Lima Filho, amigo próximo de Temer e sócio da Argeplan.

Em nota, o Palácio do Planalto disse que a investigação da PF “entrou no terreno da ficção policial” e que “a planilha já foi renegada pela pessoa que acabou, involuntariamente, anexando esse papel”.

Lopes destaca que “a planilha em questão surpreende pelo nível de detalhamento e divisão dos supostos valores pagos em propina mensal , já naquela época, em 1998, em contratos de arrendamento que variavam de 10 a 20 anos”.

Afirmou que a planilha indica que “MT” recebia 50% dos valores referentes aos contratos e que “MA” e “L” tinham 25% cada. A tabela foi entregue à Justiça pela ex-mulher de Azeredo, que estava em processo de divisão de bens e queria comprovar que o marido tinha outras rendas.

Em um item específico, “parcerias realizadas”, há indicação de repasse da Rodrimar de R$ 300 mil a Temer e R$ 150 mil para cada um dos outros – Azeredo e Lima. Há informação de adicional de R$ 200 mil para campanha. Outro repasse da JSL seria de R$ 26 mil por mês a Temer e R$ 13 mil aos outros. Além de valores de outras empresas, como a Multicargo.

“Fazendo uma ligação com as informações trazidas, na planilha acima, na qual denota possível pagamento também pela Rodrimar de vantagem indevida para MT (possivelmente Michel Temer), em 1998, na ordem de R$ 340 mensais e ainda adicional de R$ 200 mil, textualmente indicado como sendo para campanha, não é difícil supor que tal relação promíscua entre empresários e agentes políticos se perpetue até os dias atuais”, disse o delegado.

Segundo ele, as informações encontradas no inquérito arquivado pelo STF em 2011 são fundamentais para a compreensão do caso atual, pois guardam estreita relação com pessoas e empresas envolvidas, sendo possível supor que tais esquemas investigados tenham se estabelecido entre 1995 e 2000.

Indicações

Na época, o então deputado federal paulista Michel Temer (1987-2010), líder da bancada do PMDB, fez as primeiras indicações para o comando da Codesp, “conforme reconhecido pelo senhor presidente, durante respostas à Polícia Federal”, sublinhou o delegado.

Em outro relatório específico, a PF volta a detalhar a planilha e apresenta siglas que representariam nomes de outras pessoas vinculadas a Temer. Em projeto sobre terminal de caminhões, um contrato de 40 anos, aparece o nome Beto.

“A hipótese seria que Beto seria referência a Beto Mansur, ex-prefeito de Santos, que supostamente também atuou nas indicações para a Codesp, defenfia o interesse de empresas do setor portuário durante a Patmos e faz parte do grupo político de Michel Temer”, diz documento assinado pelo agente Paulo Marciano Cardoso em 8 de março.

A planilha que indica repasses poderá ser questionada uma vez que integrou inquérito já arquivado no STF e que foi autorizado a correr na primeira instância. Além disso, Temer, como presidente da República, pode ser investigado por fatos anteriores ao mandato, mas não pode ser denunciado por isso enquanto estiver na função.

A PF analisa até o começo de julho todo o material coletado na Operação Skala para preparar relatório a respeito da investigação – o material será importante para a PGR (Procuradoria-Geral da República) definir se denuncia ou não Temer no caso dos portos.

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