Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2026
O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça, também identificou publicidade de bets circulando no Google, na Meta e no TikTok.
Foto: Terdag Media/IAA proibição das apostas on-line no Brasil provocou uma reação no mercado e acendeu o alerta para o possível crescimento de plataformas clandestinas. Enquanto empresas do setor estudam medidas judiciais contra a medida provisória (MP) editada pelo governo federal, uma associação que representa empresas de jogos e apostas afirma que o número de sites sem autorização aumentou rapidamente desde o anúncio da decisão.
Um monitoramento realizado pela Iron Security, empresa de cibersegurança e inteligência artificial parceira da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), identificou 697 sites de apostas com indícios de funcionamento sem autorização. O levantamento começou em (21), quatro dias antes da publicação da MP, quando havia 103 domínios clandestinos identificados.
No dia da publicação da medida, na sexta-feira (25), o número chegou a 340. No sábado (26), passou para 633 e, no domingo (27), se aproximou de 700. O levantamento compara os endereços encontrados com a lista de marcas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.
Segundo a Iron Security, não é possível afirmar que todos os sites identificados sejam necessariamente fraudulentos ou maliciosos. A operação, contudo, sem autorização para atuar no mercado brasileiro após a entrada em vigor da MP, é considerada irregular.
A medida provisória determinou o fim das atividades das empresas de apostas on-line no País. As plataformas ficaram autorizadas a permanecer disponíveis até o dia 5 apenas para que os usuários possam retirar eventuais valores existentes nas contas. De acordo com estimativa do Ministério da Fazenda, cerca de R$ 1,7 bilhão ainda estaria nas plataformas para saque.
Uma das preocupações levantadas pela ANJL é a possibilidade de falsários copiarem a aparência e a identidade visual de empresas que operavam legalmente para atrair apostadores. O objetivo seria aproveitar o conhecimento que os usuários já têm das marcas para direcioná-los a páginas sem autorização.
Plínio Lemos Jorge, presidente da associação, afirmou que a tendência é de aumento das plataformas clandestinas, que não estariam submetidas aos mesmos mecanismos de fiscalização e proteção exigidos das empresas autorizadas.
“Se o objetivo da medida era impedir a atuação das bets, o efeito concreto foi atingir as empresas legalizadas, que recolhiam impostos, estavam submetidas à fiscalização e eram obrigadas a adotar mecanismos de controle e proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes”, disse.
O governo, por sua vez, informou que intensificou o monitoramento do ambiente digital após a edição da MP. Uma força-tarefa formada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério da Fazenda já derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas.
O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça, também identificou publicidade de bets circulando no Google, na Meta e no TikTok. Foram encontrados cerca de 1,9 mil anúncios no Google, incluindo ofertas de bônus e incentivos para novos cadastros.
A MP estabeleceu prazo de dez dias para a retirada de anúncios que já estavam em circulação, mas proibiu a publicação de novas peças publicitárias. O governo informou ainda que continuará monitorando as plataformas para identificar páginas que tentem ocultar sua identidade ou utilizar links mascarados.
(Com O Globo)
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