Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2018
O juiz federal Sérgio Moro mandou preparar uma sala reservada, ‘espécie de Sala de Estado Maior’, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para o ex-presidente Lula iniciar o cumprimento de sua pena – 12 anos e um mês de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.
“Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintendência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-Presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, escreveu.
O magistrado também proibiu Lula algemado. “Vedada a utilização de algemas em qualquer espécie”. A decisão de Moro foi tomada logo depois de o petista sofrer novo revés no Supremo Tribunal Federal, que, na madrugada desta quinta-feira, 5, por 6 votos a 5, esmagou a última pretensão do ex-presidente ao rejeitar pedido de habeas corpus preventivo por meio do qual Lula requeria o direito de recorrer até a última instância em liberdade.
Já o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Rogério Galloro, escalou emissários para negociar com dirigentes do PT os termos para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve acontecer nas próximas horas.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo apurou, três pessoas próximas ao ex-presidente foram procuradas com o objetivo de abrir diálogo para acertar as condições e o local do encarceramento de Lula. O ideal para a cúpula policial é que o petista se apresente por conta própria na sede da PF, em Curitiba.
.À mesa de negociação, além dos termos de apresentação voluntária e uma cela especial, sem grades e algemas, estava a possibilidade de Lula pedir transferência, por exemplo, para São Paulo, onde moram seus filhos.
O plano da PF só não será cumprido caso o ex-presidente se negue a cumprir os termos de Moro e não se apresente até o fim da tarde desta sexta. Depois da decisão do Moro, nesta quinta, considerada “arbitrária” pela defesa do petista, Lula começou a discutir com aliados a opção de não se entregar e esperar, então, que uma equipe da PF o prenda em sua casa.
A avaliação do ex-presidente é de que o juiz expediu o mandado ainda sem que todos os embargos fossem julgados no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).
Nesta quarta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) negou, por 6 votos a 5, o habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente e acelerou o relógio para que Moro cumprisse a ordem de prisão contra Lula.
O movimento da PF foi colocado em marcha ainda em meados de março, dez dias antes de a suprema corte suspender o julgamento do habeas corpus de Lula e remarcá-lo para o início de abril. À época, emissários de Galloro queriam entender a disposição do ex-presidente em se entregar à sede da PF e a possibilidade de o petista ser preso, por exemplo, em um hotel de trânsito militar.
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