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Brasil A Polícia Federal obteve a gravação de uma conversa entre um delator e o ex-assessor do senador alvo de operação deflagrada na quinta-feira

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Na semana passada, o parlamentar havia sido alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal (PF). (Foto: Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) obteve a gravação de uma conversa entre Iran Padilha, ex-assessor do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e o operador financeiro e delator João Carlos Lyra.

Durante o contato, Lyra cobra a Padilha o pagamento de um “empréstimo” milionário que teria sido feito a Fernando Bezerra Coelho durante as eleições de 2014, os responsáveis pela quantia seriam Lyra e Eduardo Leite, que também fez delação premida. A conversa ocorreu em fevereiro de 2017 e a gravação foi realizada por João Carlos Lyra.

Segundo as investigações, Lyra operava repassando propinas milionárias de empreiteiras que tinham contratos no Ministério da Integração Nacional durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, quando Bezerra Coelho era ministro.

O empréstimo no valor de R$ 1,7 milhão acabou não sendo pago pela OAS por conta dos efeitos da Operação Lava-Jato. Por conta disso, Lyra realizou a cobrança diretamente com o então assessor do senador e responsável por receber os pagamentos.

Na transcrição do áudio de 20 minutos, Lyra e Padilha conversam sobre a marcação de um encontro com “Fernando pai”, o operador questiona ao assessor a taxa de juros paga o pagamento do empréstimo. Ao conversar sobre o local para realizar o pagamento, João Lyra questiona se São Paulo não seria um lugar arriscado, por conta da necessidade de se identificar na entrada dos prédios empresariais.

A conversa continua: “Lyra: E quem participaria da reunião? Fernando pai ou o filho?
Padilha: Acho que é o pai… Lyra: Eu e ele né. Padilha: É… Lyra: Não vem nada de advogado, essas coisas, não? Padilha: Não, que eu saiba não”.

No fim do contato, Padilha avisa que irá marcar o encontro com o senador e avisará João Lyra da data. Segundo o delator, o encontro não chegou a acontecer. A defesa de Fernando Bezerra Coelho não se manifestou. O advogado André Callegari afirmou que a recente operação da PF que teve como alvo o senador Bezerra Coelho se tratava de uma retaliação do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança). A defesa de Iran Padilha não respondeu.

Lei

A crise desencadeada pela operação da Polícia Federal que mirou Fernando Bezerra Coelho criou ambiente favorável à derrubada de vetos feitos por Jair Bolsonaro à lei sobre abuso de autoridade.

A ação com buscas e apreensões feitas pela PF na quinta-feira foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), e irritou parlamentares, que passaram a admitir um efeito colateral em relação ao governo e ao Judiciário.

O projeto sobre abuso de autoridade especifica condutas e prevê punições a juízes, promotores e policiais, por exemplo. No começo do mês, Bolsonaro, vetou 36 pontos de 19 dos 45 artigos constantes no texto aprovado pelo Congresso – que, agora, pode tentar retomar alguns pontos.

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