Terça-feira, 18 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 14 de dezembro de 2018
A Polícia Civil do Ceará estima que mais de 5 mil pessoas em todo o Brasil foram afetadas pelo golpe de clonagem no WhatsApp: estelionatários roubam seu número de celular e pedem dinheiro para seus contatos. Algumas transferências têm valor pequeno, mas há casos que chegam a R$ 80 mil. Este tipo de crime vem ocorrendo há anos; você pode evitá-lo ativando a verificação por duas etapas no aplicativo.
O delegado Julius Bernardo explica que os golpistas fazem pesquisa para mirar em determinadas vítimas, buscando “pessoas com um bom poder aquisitivo, políticos e também funcionários de instituições públicas”. Ele é diretor da Célula de Inteligência Cibernética na Polícia Civil do Ceará.
O criminoso adquire um chip e solicita à operadora o resgate do número da vítima escolhida. Dessa forma, ele consegue acesso ao WhatsApp. Também é necessário obter o celular de parentes e amigos para conversar com eles se passando pela vítima.
Em comunicado, a polícia explica que o golpe muda de acordo com o perfil do alvo. Dependendo do caso, o estelionatário pede dinheiro para trocar um pneu de carro, comprar um eletrodoméstico ou adquirir um carro. Ele solicita com urgência um depósito na conta de um “laranja”.
Grupo criminoso clona WhatsApp em diversos Estados
Julius nota que esse crime pode ser praticado de qualquer lugar do Brasil, por ser realizado via internet; e não envolve apenas por uma pessoa: “sabemos que o golpe era bem estruturado, contando com a participação de vários envolvidos”.
A investigação da Célula de Inteligência Cibernética vem sendo realizada há três anos. Foi identificado um dos chefes do grupo — que atua em diversos Estados — assim como diversas pessoas com participação direta ou indireta no esquema.
Mais de 5 mil pessoas foram vítimas desse golpe no País, mas a polícia acredita que o número seja maior, porque muitas pessoas não registram queixa. No Ceará, foram abertos 50 boletins de ocorrência na Polícia Civil.
Um desses casos envolve a jornalista Giselle Soares: um criminoso roubou seu número de celular e pediu R$ 1.500 para um amigo dela via WhatsApp, para a garantia de aluguel de um apartamento.
“Quando olhei meu celular, percebi que estava sem sinal e que o WhatsApp não estava funcionando”, ela conta. O amigo desconfiou dos dados bancários, que eram de outra pessoa, e decidiu ligar para Giselle. A transferência não foi realizada.
Julius recomenda que as pessoas não façam transferência com base apenas em mensagens de WhatsApp — mesmo que pareça ser algo urgente.
“A pessoa deve ligar para os seus amigos e familiares sempre que desconfiar do teor da conversa. Mesmo que pareça totalmente seguro, é necessário conferir por ligação telefônica ou outros meios se a mensagem recebida realmente foi enviada pelo amigo, cliente, familiar ou chefe”, ele orienta.
Além disso, você deveria ativar a verificação de duas etapas. Dessa forma, mesmo que um criminoso roube seu número de celular, ele precisará de um código numérico para acessar sua conta do WhatsApp.
É simples: siga o caminho Conta > Verificação em duas etapas, insira um PIN de seis dígitos e um endereço de e-mail para recuperar a conta.
O WhatsApp vai solicitar, de tempos em tempos, que você digite esse PIN para continuar usando o aplicativo (não há como desativar isso). Se você receber um e-mail do WhatsApp para desativar a verificação em duas etapas, não clique no link — pode ser um criminoso tentando invadir sua conta.
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