Sábado, 23 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de junho de 2018
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, deu à luz sua primeira filha na quinta-feira (21), e tornou-se a segunda mulher chefe de governo a ter um bebê durante seu mandato. O nome da criança ainda não foi anunciado. Jacinda, de 37 anos, recupera-se em um hospital de Auckland, após um parto que estava previsto para acontecer dias atrás, ao lado da menina que nasceu com 3,31 kg. É a primeira filha de Jacinda e de seu marido, o jornalista Clarke Gayford, de 40 anos.
Agora, ela tirará uma licença maternidade de seis semanas, e seu cargo será ocupado pelo seu vice, Winston Peters. No entanto, a primeira-ministra assegurou que acompanhará as atividades do governo mesmo durante sua ausência.
“Tenho certeza que estamos passando por todas as emoções pelas quais passam os pais de primeira viagem. Ao mesmo tempo nos sentimos tão agradecidos por toda a gentileza e bons desejos recebidos de tantas pessoas. Obrigada”, afirmou a primeira-ministra em um comunicado.
A primeira-ministra, no entanto, minimizou o significado de ter um filho enquanto está no poder. “Muitas pessoas fazem malabarismos em suas vidas pessoais e privadas, e não sou alheia a isto. Muitas mulheres realizaram múltiplas tarefas antes de mim e eu quero reconhecer isto”, afirmou ao anunciar a gravidez em janeiro. Eleita em outubro, Jacinda também é a premiê neozelandesa mais jovem desde 1856.
A primeira mulher a ficar grávida no período moderno enquanto chefe de governo foi Benazir Bhutto, no Paquistão, em 1990. Coincidentemente, a filha de Jacinda nasceu no mesmo dia do aniversário de Bhutto, que foi assassinada em 27 de dezembro de 2007.
O nascimento da filha de Jacinda está carregado de simbolismo, mesmo para a Nova Zelândia, um dos países mais progressistas em relação aos direitos das mulheres. A licença maternidade será de apenas seis semanas. Após esse período, será o pai quem ficará em casa cuidando do bebê, mostrando ao mundo que as mulheres não precisam sacrificar suas carreiras para se tornarem mães. E entre seus planos de governo está o ambicioso objetivo de eliminar a diferença salarial entre homens e mulheres.
O período de seis semanas de licença maternidade não é comum na Nova Zelândia, onde apenas 61% das mulheres retornam ao trabalho dentro de um ano após darem à luz. Além disso, em média as mulheres têm corte salarial de 4,4% após se tornarem mães, enquanto homens veem pouca mudança em seus salários, segundo estudo publicado por um instituto de pesquisas econômicas do país, no mês passado.
“Nós fomos o primeiro país onde as mulheres lutaram e conquistaram o direito ao voto, então eu não vejo nenhum razão para não continuarmos sendo líderes”, afirmou Julie Anne Genter, ministra para as Mulheres, em entrevista à Bloomberg. “O novo governo tem demonstrado um compromisso real em priorizar a igualdade de gênero, porque é a coisa certa a ser feita.”
Jacinda se manteve na função até os últimos dias da gravidez. No início desta semana, ela ainda estava no Parlamento. Em todo o país, o clima era de ansiedade, já que a premier é bastante popular, sobretudo entre a parcela mais jovem da sociedade. Em frente ao Hospital Auckland City, emissoras de TV montaram equipes para transmissão ao vivo do evento que atrai mais a atenção do público neozelandês que o Mundial na Rússia.
Os comentários estão desativados.