Sábado, 26 de Setembro de 2020

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Brasil A primeira senadora tetraplégica do Brasil quer ser “uma guardiã das minorias”

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Mara Gabrilli (PSDB-SP) recebeu 6,5 milhões de votos. (Foto: Reprodução/WhatsApp)

Senadora eleita pelo PSDB de São Paulo, a psicóloga, publicitária e deputada federal Mara Gabrilli é destaque por onde passa com a sua cadeira motorizada, tendo sempre ao lado uma auxiliar (fundamental para tirar os longos cabelos dos olhos ou para levar comida à boca). Ela costuma ser parada para tirar fotos, ganhar beijos, abraços e os mais variados pedidos.

Se não pode mexer a contento os braços para um abraço, devido à tetraplegia, ela se esmera para manter o sorriso. Esse carisma foi. sem dúvida. um dos elementos que a levaram a amealhar 6,5 milhões de votos para o Senado, feito inédito para uma pessoa em sua condição física no País.

Depois de conquistar o mandato nas urnas, a parlamentar tucana de 51 anos tem ensaiado uma aproximação com o futuro presidente Jair Bolsonaro (PSDB), sobretudo em questões alusivas aos direitos humanos e às minorias, o que pretende seguir fazendo. Recentemente, ela também também foi eleita integrante de um dos comitês sociais da ONU (Organização das Nações Unidas).

“Eu sempre tive um sentimento de grande responsabilidade, mas que agora se multiplicou muito”, constata. “Ainda estou fascinada pela confiança das pessoas em mim. Estou com uma inquietação positiva de tudo o que vamos conseguir fazer, de melhorar a situação das pessoas com deficiência.”

Mara imagina a possibilidade de acabar com a fila de espera por uma cadeira de rodas no País, a fim de dar chance às pessoas recomeçarem suas vidas com dignidade: “O fato de eu ser uma pessoa com deficiência com uma história de sucesso física, de saúde, de bem-estar, mostra que é muito possível para qualquer outro atingir sucesso, basta que haja oportunidade e minha posição é a de buscar essas oportunidades para os outros”.

Ela não poupa elogios a alguns dos futuros ministros anunciados até agora por Bolsonaro: “O Luiz Henrique Mandetta [Saúde], o Sérgio Moro [Justiça] e o Osmar Terra [Cidadania] têm um compromisso forte com a assistência social. Até por conta do cargo que fui eleita na ONU [membro do comitê mundial da pessoa com deficiência], cujo mandato começa também em 2019, acho que a gente pode promover uma transformação mundial”.

Escolhida pelo voto popular com a proposta de agir como interlocutora de grupos sociais diversos diante do novo governo de Bolsonaro, Mara diz se sentir “quase na responsabilidade de ser uma guardiã de um público que não é ouvido” e que aprendeu isso fazendo política pública para pessoas com deficiência:

“Isso acabou consagrando uma forma de trabalhar, com um olhar para quem é discriminado, excluído, esquecido, sem oportunidade. Ouço a sociedade o tempo todo, desde o começo, quando abri uma ONG, e vou continuar tentando buscar soluções e oportunidades. Me coloco mesmo à disposição dos negros, dos LBGTis, das mulheres e de outros que aparecem no dia-a-dia no Congresso Nacional.

O Ministério da Educação resolveu fazer uma revisão da política de educação inclusiva no Brasil, ampliando o alcance da escola especial, o que tem gerado insatisfação por parte das pessoas. Sobre esse tema, a senadora eleita concorda que há preocupação por parte de muita gente.

Acidente

Mara Gabrilli ficou tetraplégica após sofrer uma lesão na terceira vértebra cervical durante um acidente de carro quando voltava de Paraty (RJ), em agosto de 1994. O seu então namorado, que dirigia o veículo, nada sofreu.

“Eu nunca me adaptei à condição de tetraplégica”, frisou em recente entrevista a um site. “O que faço é procurar ter qualidade de vida e prazer, resultado de trabalho em qualquer condição na vida”.

 

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