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Notícias A prisão do ex-ministro Geddel reabre o temor no PMDB de uma delação contra o governo Temer

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Geddel Vieira Lima é apontado como uma bomba que pode explodir sob pressão. (Foto: Reprodução)

Ex-homem forte da articulação política do governo Michel Temer, o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), preso na sexta-feira, se transformou em novo fantasma para os políticos do comando do PMDB e do governo. Tido como uma pessoa instável emocionalmente, Geddel é apontado como uma bomba que pode explodir sob pressão.

O grande temor é de uma delação premiada que complique a situação do governo, na véspera de uma possível nova denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Temer.

A prisão foi realizada em Salvador pela Polícia Federal (PF), depois que foi descoberto o “bunker” onde Geddel escondia R$ 51 milhões de origem desconhecida. Ao menos parte do dinheiro seria de quando Geddel era vice-presidente da Caixa, no governo de Dilma Rousseff. A suspeita da PF é que ao menos R$ 20 milhões sejam de propinas para viabilizar a liberação de crédito do FI-FGTS a empresas. O peemedebista também integrou a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, como ministro da Integração Nacional.

A estratégia do Planalto é isolar o antigo aliado e se blindar de uma possível delação. No meio da tarde, o ex-ministro foi transferido para Brasília e ficará preso na Papuda, onde está também o operador Lúcio Bolonha Funaro. Junto com Geddel foi preso o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Gustavo Ferraz (PMDB), seu aliado. No fim do dia, Ferraz foi exonerado.

O pedido de prisão foi feito pela PF e endossado pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Os crimes investigados são corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O mandado que resultou na operação foi assinado pelo juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Crimes
O juiz federal disse, na decisão, que o político baiano reitera na prática de crimes “de forma sorrateira” e “em estado de permanência”. No mandado de prisão, Vallisney lembrou que, em diferentes depoimentos, inclusive por ocasião da primeira prisão, em julho, Geddel não fez qualquer menção aos R$ 51 milhões.
A Polícia Federal encontrou no “bunker” onde estavam os R$ 51 milhões, que tinham impressões digitais de Geddel, uma fatura de uma mulher que é empregada do irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Além disso, duas testemunhas ouvidas pela PF — o dono do imóvel onde o dinheiro foi apreendido e a administradora do condomínio — afirmaram que o apartamento foi emprestado a Lúcio.

Os irmãos são dois dos políticos do PMDB mais próximos e íntimos do presidente Temer.

Embora o ex-ministro seja amigo do presidente há mais de 20 anos, o entorno de Temer insiste na narrativa de que não há motivo para temores no Palácio do Planalto com relação a uma potencial delação do ex-articulador político da Presidência. A descoberta de R$ 51 milhões em notas de R$ 50 e R$ 100 num imóvel em Salvador está desde o primeiro momento sendo tratado como um problema pessoal de Geddel.

No PMDB o discurso é o mesmo. O tom foi dado pelo presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), no dia seguinte à veiculação das imagens das malas e caixas de papelão abarrotadas de dinheiro. Na ocasião, Jucá tratou Geddel como mero “filiado” ao partido.

“Qualquer denúncia sobre qualquer filiado deve ser explicada pelo filiado. Não conheço essa situação do Geddel, quem tem que explicar é a Polícia Federal e, eventualmente, se ele tiver algum tipo de relação, ele também deve explicar. Isso não fere o PMDB — disse Jucá, naquele momento.

Passados três dias desde a descoberta do bunker, e mesmo após a prisão de Geddel, a decisão do PMDB e do Planalto de o isolar permanece inalterada. Correligionários do ex-ministro afirmam que não há razões para se preocupar.

A defesa de Geddel disse que só se manifestará quando tiver acesso aos autos. (AG)

 

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