Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2018
Em março, a saída de dólares do Brasil superou em US$ 3,940 bilhões o ingresso da moeda estrangeira, informou nessa quarta-feira o BC (Banco Central). Esse foi o segundo mês consecutivo de saída de recursos do País. Em fevereiro, US$ 1,454 bilhão havia deixado a economia brasileira.
O relatório define que a entrada de dólares se dá quando investidores enviam dinheiro ao Brasil para pagar pela compra de produtos brasileiros ou para realizar aplicações financeiras e investimentos em empresas, por exemplo.
O dólar sai quando esses investidores retiram recursos do Brasil para – normalmente – aplicar em outros países, ou para pagar pelas importações realizadas. Essas operações ocorrem por meio de remessas feitas por bancos contratados por esses investidores.
No acumulado desde janeiro deste ano, porém, ainda foi registrada mais entrada do que saída de recursos. Até a última sexta-feira, o ingresso de dólares no País superou a retirada em US$ 2,669 bilhões, de acordo com dados oficiais.
Impacto no dólar
A saída de dólares favorece, em tese, a alta da moeda norte-americana em relação ao real. Isso porque, com menos dólares no mercado, o seu preço tende a subir.
De fato, no mês passado o dólar registrou valorização. No fim de fevereiro, a moeda norte-americana estava em R$ 3,242 e, no fechamento de março, já era cotada a R$ 3,30 – um aumento de 1,85%. Nessa quarta-feira, por volta das 13h30min, era operado ao redor de R$ 3,350.
De acordo com a avaliação de analistas de mercado, além do fluxo de dólares, outros fatores influenciam a cotação da moeda, como o cenário político interno e externo e o processo gradual de alta dos juros nos Estados Unidos, que tende a atrair capital para aquela economia.
O dólar foi negociado em alta nesta quarta, com os investidores optando pela cautela antes do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) do habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse movimento de alta também foi influenciado pela tensão da guerra comercial entre Estados Unidos e China, depois que o governo de Pequim respondeu rapidamente aos planos norte-americanos de adotar tarifas sobre US$ 50 bilhões em bens chineses, retaliando com uma lista de taxas similares sobre importações dos Estados Unidos.
Interferência do BC
Outro fator que influencia a cotação do dólar são as operações do chamado “swap cambial”, que funcionam como uma venda futura de dólares, ou de “swaps reversos”, que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro.
Nessas operações, o BC faz oferta de dólares para tentar controlar a cotação da moeda e impedir grandes oscilações. Além disso, essas operações servem para oferecer garantia (“hedge”) a empresas contra a valorização da moeda.
O Banco Central não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio, ao menos por enquanto. Em maio, vencem US$ 2,565 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.
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