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Brasil A saída do presidente da Eletrobras desperta o apetite de políticos por cargos na empresa estatal

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Equipe econômica tenta manter perfil técnico no cargo. (Foto: EBC)

O pedido de demissão do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, sinalizou que o processo de privatização da empresa saiu de cena e já desperta o apetite de políticos do Centrão, e de siglas como DEM e MDB, pela indicação do novo nome para comandar a estatal.

Técnicos da equipe econômica, no entanto, tentam evitar a pressão e trabalham por um nome técnico para chefiar a empresa, que seja alinhado ao interesse do governo em vender a companhia.

O nome do atual presidente do Conselho de Administração da Eletrobras, Rui Flaks Schneider, é cogitado por integrantes do governo, mas já enfrenta resistência interna por ter adotado um tom considerado político em comunicado a conselheiros e diretores na última segunda-feira (25).

Ferreira Jr. anunciou a renúncia ao cargo na noite de domingo (24). Ele fica no posto até 5 de março e, depois, passará a presidir a BR Distribuidora.

Em nota sobre a saída do executivo, o Ministério de Minas e Energia defendeu a privatização da Eletrobras. O ministro da Economia, Paulo Guedes, participou de apresentação da pasta, mas não mencionou o episódio e apenas reforçou a importância da agenda de reformas.

Eleição no Congresso

O executivo admitiu em entrevista coletiva, no entanto, que tomou a decisão após perceber que o projeto, apresentado no governo do ex-presidente Michel Temer, não tinha apoio necessário para avançar. Ele também cobrou do presidente Jair Bolsonaro envolvimento na defesa da proposta.

A privatização da Eletrobras foi a única apresentada até agora pelo governo ao Congresso. Analistas já viam com ceticismo a hipótese de que a concessão fosse de fato levada a cabo, após uma série de idas e vindas em relação ao projeto nos últimos anos, mas a saída do executivo foi interpretada como uma pá de cal nas privatizações no governo Bolsonaro.

Especialistas ressaltam que apesar das queixas de falta de engajamento dos parlamentares, o governo não apresentou qualquer projeto para empresas prioritárias na lista de privatizações, como os Correios. De saída, Ferreira Jr. destacou em entrevista que a privatização da Eletrobras requer “grande capital político”.

Na última segunda (25), os recibos de ações da Eletrobras negociados em Nova York (EUA) despencaram 11,76%. No Brasil, não houve pregão em razão do feriado pelo aniversário da cidade de São Paulo.

Nas últimas semanas, Ferreira Jr. vinha dizendo a pessoas próximas que deixaria a estatal quando percebesse que o governo não encampava mais a privatização. Declarações de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) — candidato à presidência do Senado apoiado pelo governo — pondo em dúvida o avanço na venda da empresa teriam sido decisivas. O executivo sempre considerou que estava no Senado a maior resistência.

O partido de Pacheco, o DEM, é uma das legendas interessadas em indicar um sucessor para a Eletrobras. O MDB e partidos do chamado centrão, grupo de siglas que passou a dar sustentação ao governo na Câmara, estão na disputa.

As movimentações ocorrem a uma semana das eleições no Congresso. Além de Pacheco, no Senado, o governo apoia Arthur Lira (PP-AL) contra Baleia Rossi (MDB-SP), na Câmara.

Privatização

A privatização da Eletrobras foi anunciada em 2017. O projeto foi encaminhado ao Congresso no ano seguinte, mas não avançou sequer nas comissões da Câmara. Ferreira Jr. ocupava um dos poucos cargos indicados por Temer a permanecer no atual governo.

A última estimativa do governo previa arrecadação de R$ 18 bilhões com a privatização. Diante da incerteza política, o valor não foi incluído no Orçamento de 2021. Por outro lado, o governo prevê gastar R$ 4 bilhões para criar a nova empresa que ficará responsável pela hidrelétrica de Itaipu e as usinas nucleares de Angra, após a privatização da estatal.

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