Domingo, 14 de junho de 2026
Por Luigi Gustavo Soares Pereira | 14 de junho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Há coisas que só percebemos quando faltam. A energia elétrica, por exemplo. A saúde. A confiança. E a segurança. No dia a dia, raramente acordamos pensando nela. Saímos para trabalhar, levamos os filhos à escola, abrimos nossos negócios, cumprimos compromissos, encontramos amigos e retornamos para casa. A vida segue seu curso. E talvez esse seja um dos maiores sinais de que a segurança está cumprindo seu papel.
Quando funciona, ela não ocupa o centro das conversas. Ela permite que outros assuntos ocupem esse espaço. A família, o trabalho, os sonhos, os desafios da economia e os projetos para o futuro. A segurança não é o objetivo final da sociedade. Ela é a base que permite que a sociedade avance.
A melhor segurança pública não é aquela que chama atenção. É aquela que permite que a vida aconteça.
Por isso, tão importante quanto observar indicadores criminais, é importante compreender como as pessoas se sentem em relação ao lugar onde vivem. A sensação de segurança não é um dado abstrato. Ela influencia decisões cotidianas e determina se alguém se sente confortável para caminhar pelas ruas, abrir um negócio, frequentar espaços públicos ou simplesmente viver com tranquilidade.
Recentemente, uma pesquisa revelou um dado significativo sobre a forma como os gaúchos enxergam a realidade do Estado. Segundo levantamento da Genial/Quaest, a violência caiu para o quinto lugar entre as principais preocupações da população do Rio Grande do Sul, sendo mencionada por apenas 8% dos entrevistados. Saúde, enchentes e economia passaram a ocupar as primeiras posições entre as inquietações dos gaúchos. Mais do que um número, esse resultado indica uma mudança importante na relação da sociedade com o tema da segurança pública. Afinal, quando a violência deixa de ocupar os primeiros lugares entre as preocupações da população, não estamos diante apenas de uma estatística. Estamos diante de uma experiência coletiva construída ao longo do tempo.
Mas sensações não surgem por acaso. Toda mudança na forma como uma sociedade se sente tem origem em fatores concretos. Quando uma comunidade percebe mais tranquilidade em seu cotidiano, existe por trás dela um trabalho diário, permanente e muitas vezes silencioso. Um esforço que começa muito antes de uma ocorrência policial e que envolve planejamento, presença, integração, inteligência e prevenção.
É justamente nesse trabalho contínuo que se inserem as ações desenvolvidas pela Brigada Militar em todas as regiões do Estado. Nos últimos meses, esse esforço se traduziu em operações, reforço do policiamento ostensivo, ampliação da presença em áreas estratégicas e emprego integrado de diferentes especialidades da Corporação. Em Porto Alegre, na Região Metropolitana, na Serra, no Litoral e no interior gaúcho, são ações que muitas vezes passam despercebidas para quem está seguindo sua vida, mas que produzem efeitos concretos na preservação da ordem pública e na proteção das pessoas.
Os resultados desse esforço podem ser observados em diversos indicadores operacionais. Apenas neste no mês de maio, a Brigada Militar já realizou 7.600 prisões, 400 armas apreendidas, a Patrulha Maria da Penha realizou quase 10 mil visitas. Mais do que números, esses resultados ajudam a explicar uma mudança que começa a ser percebida pela própria população gaúcha. Eles representam crimes evitados, riscos reduzidos e mais proteção para quem vive, trabalha e constrói seu futuro em nosso Estado.
O verdadeiro significado desses dados está naquilo que eles representam para a população. Cada crime evitado é uma preocupação que não chegou a uma família. Cada arma retirada de circulação é um risco que deixou de existir. Cada ação preventiva é uma oportunidade de preservar a tranquilidade e proteger o que realmente importa. Segurança pública não se resume a estatísticas. Ela está presente nos pequenos gestos do cotidiano, na tranquilidade de quem abre as portas do seu negócio pela manhã, na confiança de quem segue sua jornada de trabalho e na liberdade de ocupar os espaços da cidade.
Talvez seja justamente por isso que a segurança seja tão difícil de explicar e tão fácil de sentir. Ela raramente aparece quando tudo está funcionando. Mas se revela em sua importância quando permite que a vida siga acontecendo. Porque, no final das contas, a segurança pública se manifesta naquilo que todos desejamos ao fim de mais um dia: a tranquilidade de poder voltar para casa.
No fundo, é por isso que ela é uma daquelas coisas que só percebemos quando faltam.
*Esta coluna foi escrita a convite da Associação dos Oficiais R/2 do RS – AOR/2-RS
Coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira Comandante-Geral da Brigada Militar
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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