Sexta-feira, 20 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias A suspensão da gravidez em mamíferos pode ajudar no combate ao câncer

Compartilhe esta notícia:

Treinada com imagens de embriões de pacientes brasileiros, a MAIA auxilia embriologistas na identificação daqueles com maior potencial de implantação. (Foto: Reprodução)

Desde a década de 1850, sabe-se que alguns animais possuem a habilidade de pausar a gravidez até o momento adequado de ter os filhotes. Entretanto, apenas nos dias atuais os cientistas começam a entender mais sobre a chamada “diapausa embrionária”. Compreendê-la pode trazer benefícios no tratamento do câncer.

A diapausa embrionária está presente em mais de 130 espécies de mamíferos. A pausa pode durar entre alguns dias e 11 meses. À exceção de alguns morcegos, a maioria delas passa por essa fase quando o embrião é uma massa de apenas 80 células, antes que ele se prenda ao útero.

Isso também não é restrito a apenas um grupo de mamíferos. Diversas espécies desenvolveram esta habilidade, conforme necessitavam de uma reprodução mais eficiente. A maioria dos carnívoros é capaz de suspender sua gravidez, incluindo todos os ursos e a maioria das focas, além de vários roedores, tatus, tamanduás e cervos.

Mais de um terço das espécies que passam pela diapausa embrionária são originárias da Austrália, incluindo alguns gambás e praticamente todas as espécies de cangurus. Uma delas chega a pausar seus embriões por até 11 meses.

Para os mamíferos, a diapausa embrionária tem uma grande vantagem: ela separa o acasalamento do nascimento. Isso é feito de duas formas pelos animais. A primeira delas é acasalando logo após dar à luz, para ter uma gravidez de “backup”, caso algo aconteça com o filhote recém-nascido. O estresse causado pela lactação ativa uma pausa, que dura até a cria parar de mamar. A segunda forma é pausar a gestação todas as vezes, até que seja o momento correto (geralmente depende da estação).

O que podemos aprender com a diapausa?

Esse fenômeno foi descoberto em 1854, após caçadores europeus perceberem que a gravidez de uma espécie de cervo parecia durar mais que o normal. Desde então, cientistas estudam o processo, entendendo mais sobre a reprodução nos mamíferos. Porém, o conhecimento necessário para provar a teoria chegou apenas em 1950.

No entanto, seu funcionamento a nível molecular ainda é um mistério. Até recentemente, não parecia haver qualquer conexão entre quais espécies possuem essa habilidade, assim como não se conhecia um mecanismo que fizesse a pausa na gestação. Até mesmo os hormônios que controlam a diapausa são diferentes entre os mamíferos.

Contudo, uma nova pesquisa sugere que, independentemente dos hormônios atuantes, a sinalização molecular entre o útero e o embrião é a mesma, ao menos entre camundongos e furões. Além disso, pesquisadores da Polônia pausaram embriões de ovelhas ao transferí-los para o útero de camundongos e depois de volta, sem efeitos negativos. Isso indica que a diapausa pode ser uma característica de todos os mamíferos, inclusive humanos.

Pausar a gestação, porém, não deve ser a norma para nós. Primeiramente porque seria necessário detectar a gravidez cinco dias após a concepção (o momento em que a maioria dos animais começa a diapausa). Entretanto, aprender como isso funciona tem um impacto significativo para o entendimento de como fazer embriões saudáveis.

O momento em que o embrião entra em suspensão é o mesmo em que ele é transferido para o útero, nas fertilizações in vitro. A diapausa pode ajudar no cultivo de embriões ou no reconhecimento de qual terá mais sucesso. Ela também pode auxiliar na criação de melhores células tronco e a encontrar novos tratamentos contra o câncer. A primeira célula tronco isolada por cientistas saiu de um embrião de rato em diapausa e esses tipos de células são muito similares.

Portanto, o entendimento a nível molecular de como ocorre a diapausa pode levar a novas terapias para impedir a divisão celular ou identificar marcadores de células tronco cancerosas, as suspeitas de serem responsáveis pela metástase do câncer.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

A Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei da prefeitura que prevê o fim da atividade de “flanelinha” em Porto Alegre
Cinco coisas que você deve evitar quando estiver na frente da Rainha da Inglaterra
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar