Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2024
Na avaliação do economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, é possível imaginar que a taxa básica de juros (a Selic) caia no ano que vem, mas é difícil precisar quando vai ocorrer e de quanto será um eventual corte. “Tem um monte de dúvidas que precisam ser sanadas para poder precisar”, diz. “É possível imaginar um corte de juros no ano que vem. Mas é muito difícil precisar de quanto e quando. Vai depender do corte do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), da consolidação da agenda fiscal e da transição do Banco Central brasileiro.”
– Qual deve ser o comportamento do Fed depois dos últimos dados de inflação nos EUA? “Estamos numa situação em que os Estados Unidos estão prestes a cortar as taxas de juros. Acho que (o corte) vem na reunião de setembro. Será um primeiro corte de 0,25 (ponto porcentual) e, depois, mais um corte de 0,25 até o fim do ano. O desemprego foi a 4,1%. A relação de vagas abertas por número de desempregados bateu em 1,2, o menor número desde 2021. É o momento de um mercado de trabalho mais desaquecido dos últimos três anos nos EUA. É isso que vai levar o país a cortar a taxa de juros.”
– Como fica o Banco Central brasileiro nesse cenário? “Acho que o BC não corta os juros até o fim do ano. A Selic fica em 10,5%. São duas incertezas importantes. Tem a incerteza do cumprimento do arcabouço fiscal, que acho que está bem desenhado. A questão é o governo mostrar como ele vai ser cumprido. E tem a incerteza da transição da presidência do BC. Isso, somado ao corte de juros do Fed, abre um cenário mais tranquilo para 2025, mas até o fim deste ano não vejo o BC se movendo.”
– E quando o juro começa a cair no Brasil? “É muita bola de cristal fazer essa previsão. Mas eu diria o seguinte. O Focus está com uma previsão de Selic em 9,5% no fim de 2025. É possível imaginar um corte de juros no ano que vem. Mas é muito difícil precisar de quanto e quando. Vai depender do Fed, da consolidação da agenda fiscal e da transição no BC brasileiro. Há muitas dúvidas que precisam ser sanadas para poder precisar. Mas é possível imaginar um corte até o fim do ano que vem, isso está no Focus.”
– Como avalia o cenário de inflação no Brasil? “A inflação está bem. O último IPCA veio abaixo do esperado. Foi 0,21%, mas a inflação vai fechar o ano muito próxima de 4%. Para uma meta de 3%, ainda está longe. Mas a economia está crescendo bem mais do que se imaginava e é possível pensar até num crescimento de 3% este ano.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.