Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2021
Os cronogramas para a vacinação de um número de pessoas suficiente para
efetivamente conter a covid-19, não estão sendo cumpridos em muitos países,
despertando temores de que uma grande parcela do mundo ainda estará lutando contra a pandemia em seus efeitos econômicos durante uma boa parte de 2022 e além.
Os Estados Unidos e alguns outros países, em sua maioria pequenos, estão
progredindo para vacinar a maior parte de suas populações até o fim do terceiro trimestre, mas especialistas em saúde e economistas estão chegando à conclusão de que grande parte do planeta – incluindo partes da Europa, Ásia e América Latina – enfrentarão um caminho mais árduo.
Países que vão da Alemanha ao México estão com sérios problemas para a obtenção de vacinas suficientes. Outros, com menos casos, estão sendo menos pressionados a iniciar campanhas de vacinação e não estão dispostos a abrir suas fronteiras no curto prazo.
Às taxas atuais de vacinação, apenas cerca de 10% do mundo será imunizado até o fim do ano, e 21% até o fim de 2022, segundo o banco UBS. Apenas dez países caminham para vacinar mais de um terço de sua população neste ano.
Os dados do UBS incluem países de renda média duramente atingidos, como a África do Sul, onde as taxas de vacinação deverão ser dolorosamente baixas, embora o banco diga que alguns países monitorados por ele deverão aumentar o ritmo da vacinação em breve.
Mas regiões mais ricas, como a Europa, também estão enfrentando atrasos. A meta europeia de vacinar 70% da população até o terceiro trimestre parece inatingível depois que alguns países ficarem sem doses e com apenas 2% da população da União Europeia (UE) vacinados até agora.
O ritmo diferente da vacinação no mundo levanta a possibilidade de perspectivas econômicas divergentes para os principais blocos econômicos, pelo menos no curto prazo. A economia dos EUA poderá crescer 5,1% este ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a recuperação da zona do euro e das economias em desenvolvimento ficaram mais incertezas com os atrasos na vacinação.
Os EUA e uns poucos outros países poderão acabar gozando de muitos benefícios da imunidade de grupo, mas ainda assim se verem incapazes de reparar suas economias por dependerem de mercados onde a vacinação atrasou. Com as fronteiras globais fechadas, algumas empresas terão de depender da demanda interna, mesmo em países em que a vacinação está avançando sem percalços.
“Enquanto a pandemia continuar aterrorizando o mundo, a normalidade não será restabelecida em nenhum lugar”, afirmou Erik Nielsen, economista-chefe do banco UniCredit.
A distribuição desigual das vacinas também significa que a covid-19 poderá continuar circulando durante anos, especialmente em países como o Brasil ou a África do Sul, onde novas cepas virulentas estão superando as imunizações.
Muitos cientistas e autoridades previram que os programas de imunização levariam muito tempo. Mesmo assim, o desenvolvimento extraordinariamente rápido de vacinas aumentou as esperanças de que 2021 representaria um retorno á normalidade na maior parte do mundo. Economistas, porém, começaram a rever essas previsões.
Ainda há uma expectativa de que o crescimento global será vigoroso neste ano e as populações de muitos países, como os EUA, sem dúvida verão restaurantes abertos e outros sinais de progresso. A recuperação já é tão forte em alguns lugares que está havendo problemas no fornecimento de semicondutores.
Os EUA e o Reino Unido experimentaram inicialmente atrasos nas campanhas de vacinação, mas a distribuição foi acelerada à medida que as dificuldades foram sendo superadas. Mesmo assim, as perspectivas estão cada vez mais incertas em outras partes do mundo. Fronteiras estão fechadas em grande parte da Europa.
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse na semana passada que o país continuará impedindo a entrada de visitantes estrangeiros durante a maior parte de 2021. Uma autoridade de alto escalão da Austrália fez recentemente uma previsão parecida, em parte porque ainda não está claro se as vacinas contra a covid-19 evitam a transmissão do vírus ou apenas impedem que as pessoas fiquem gravemente doentes.
Até mesmo Israel, país em que a vacinação está avançando de forma mais rápida, permanece em “lockdown”, com os voos internacionais ainda proibidos de pousar em seu território por tempo indeterminado.
“Essa suposição, de que quando o 1º de janeiro viesse poderíamos queimar o
calendário velho e tudo estaria bem, está se mostrando uma visão otimista demais”, disse Robert Carnell, economista do ING Group em Cingapura.
O Banco Mundial prevê que as remessas de dinheiro para os países em
desenvolvimento – uma fonte crucial de receitas – cairão 7,5% neste ano, depois de uma retração de 7% em 2020. As salas de concertos, cinemas e escolas poderão permanecer fechadas por mais tempo que o esperado.
Os comentários estão desativados.