Terça-feira, 11 de Maio de 2021

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Saúde A variante britânica não aumenta a gravidade da Covid nem os casos de reinfecção, mas é mais transmissível

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Entre as pessoas infectadas pela Covid-19 no RS, 947.857 (96% dos casos) já se recuperaram da doença. (Foto: Reprodução)

Um estudo publicado na segunda-feira (12) sugere que, diferentemente do que outras pesquisas vinham apontando, uma infecção pela variante britânica do coronavírus, a B.1.1.7, não aumenta a gravidade da Covid-19. Uma segunda pesquisa aponta que o surgimento da variante também não aumentou a quantidade de casos de reinfecção pela doença.

Ao mesmo tempo, ambos os estudos reforçaram indicações anteriores de que a variante é mais transmissível. As duas pesquisas foram feitas por cientistas britânicos, de equipes separadas, e publicadas em duas revistas do grupo “The Lancet”, um dos mais importantes do mundo:

– a primeira pesquisa, na “The Lancet Infectious Diseases”, concluiu que a variante não foi associada a quadros mais graves de Covid e que era mais transmissível;

– a segunda pesquisa, na “The Lancet Public Health”, constatou que os pacientes que foram infectados com o vírus “original”, antes do surgimento da B.1.1.7, mantiveram a imunidade para a variante, sem aumento na chance de reinfecção. Também não houve mudanças nos sintomas relatados ou na duração da doença nos pacientes infectados com a B.1.1.7.

Na pesquisa da “The Lancet Infectious Diseases”, os pesquisadores, dos hospitais da University College London e da North Middlesex University, no Reino Unido, analisaram amostras do coronavírus retiradas de 341 pacientes internados com Covid entre novembro e dezembro de 2020.

Com as amostras, eles também calcularam a quantidade de vírus que cada paciente tinha no corpo (carga viral). Os pacientes infectados com a B.1.1.7 tinham maior carga viral, o que foi associado a uma maior transmissibilidade.

Os cientistas perceberam que 36% dos pacientes que tinham sido infectados pela variante britânica tiveram um caso grave ou morreram de Covid-19. Entre os que tinham uma variante que não era a britânica, 38% tiveram um caso grave ou morreram.

Os pacientes com a variante tendiam a ser mais jovens, com 55% deles (109 dos 198) com menos de 60 anos. No grupo que não tinha a variante, 40% (57 dos 141) tinha menos de 60 anos. A B.1.1.7 continuou sem associação com um quadro mais grave mesmo depois que os cientistas levaram em consideração a idade dos pacientes.

Os pacientes com a B.1.1.7 também não tiveram maior probabilidade de morrer do que pacientes sem ela: enquanto 16% dos pacientes com a B.1.1.7. morreram dentro de 28 dias, 17% sem a variante morreram no mesmo período.

As conclusões vão na direção contrária da de outros dois estudos publicados no mês passado, por exemplo, que apontavam que a variante poderia contribuir para uma maior gravidade da doença:

Os pesquisadores já sabiam que os resultados deles eram diferentes dos anteriores e pontuaram a necessidade de mais estudos que relacionem a variante britânica com a severidade do quadro de Covid.

Junto com a pesquisa, a “The Lancet” também divulgou comentários de cientistas não envolvidos com o estudo: Sean Wei Xiang Ong, Barnaby Edward Young e David Chien Lye, do Centro Nacional de Doenças Infecciosas de Singapura, também concordaram com a necessidade de mais pesquisas.

“A descoberta de que a infecção da linhagem B.1.1.7 não conferiu risco aumentado de doença grave e mortalidade nesta coorte de alto risco é tranquilizadora, mas requer confirmação adicional em estudos maiores”, dizem.

Já a pesquisa na “The Lancet Public Health” analisou dados de sintomas de quase 37 mil pacientes com Covid no Reino Unido de setembro a dezembro de 2020 – quando a B.1.1.7 começou a circular e ficou mais frequente no país.

O estudo concluiu que os pacientes que foram infectados com o vírus “original”, antes do surgimento da B.1.1.7, mantiveram a imunidade para a variante, sem aumento na chance de reinfecção. Também não houve mudanças nos sintomas relatados ou na duração da doença nos pacientes infectados com a B.1.1.7.

Os dados usados na pesquisa foram relatados pelos próprios usuários em um aplicativo de celular. Os cientistas não tinham como saber com certeza quem estava ou não infectado com a B.1.1.7; por isso, alguns ajustes foram feitos. A proporção de infecções com a variante, por exemplo, foi estimada com o uso de dados de saúde pública e de um banco britânico de códigos genéticos do coronavírus.

Com as informações disponíveis, os cientistas constataram que não houve evidência de qualquer mudança nos sintomas apresentados ou na proporção de pessoas que desenvolveram a chamada “Covid longa”. As informações são do portal de notícias G1.

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