Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de dezembro de 2015
Em meio ao aprofundamento da recessão e de um “colossal” escândalo de corrupção, a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff dá início a uma nova fase de incerteza no Brasil e aumenta a pressão sobre a dirigente, destacou o jornal norte-americano The New York Times em reportagem na quinta-feira, comentando a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de aceitar o pedido de impedimento. O acatamento por Cunha, que também enfrenta acusações de corrupção, ressaltou o Times, dará início a um trâmite que demorará semanas e envolverá “delicadas” negociações políticas.
Ao mesmo tempo, a batalha do Planalto para evitar a aprovação do impedimento de Dilma deve contribuir para uma sensação de paralisia em Brasília. Nesse cenário, a aprovação de medidas de austeridade fiscal ficam ainda mais difíceis. O Times salientou também que o recesso de final de ano no Congresso deve atrasar o trâmite do processo. O jornal norte-americano frisou que, ao contrário de outras figuras políticas importantes no Brasil, algumas delas presas, não foram até agora encontrados indícios de que Dilma se beneficiou pessoalmente do escândalo de corrupção na Petrobras. Nesse sentido, Dilma se encontra em “contraste forte” em relação à situação de Cunha, acusado de ter recebido propinas, inclusive do banco BTG Pactual, e de ter contas não declaradas na Suíça.
Comissão para analisar pedido de impeachment terá maioria governista
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou na quinta-feira que haverá sessão parlamentar na próxima segunda-feira para a escolha dos 65 integrantes da comissão para analisar o processo de impeachment. Na terça-feira, o órgão legislativo será instalado, com a escolha do presidente e do relator do processo.
Os partidos que integram a base aliada do governo federal indicarão mais da metade dos dos deputados federais que farão parte da comissão especial. Ao todo, o bloco governista contará com 36 de 65 integrantes do colegiado parlamentar, enquanto os partidos de oposição terão apenas 17, menos de um terço do total.
O restante será formado por siglas independentes e nanicos, como Rede e PSOL. A divisão partidária é feita de acordo com a representatividade das bancadas dos partidos na Câmara. Apesar de fazerem parte da base aliada, há divergências em relação ao impeachment mesmo dentro de legendas que integram a equipe ministerial.
No PMDB, por exemplo, com o respaldo de Cunha, deputados favoráveis ao impedimento de Dilma ameaçam retaliar o líder da bancada da sigla, Leonardo Picciani (RJ), caso ele não indique integrante do grupo para a comissão. Ao todo, a sigla com a maior bancada da Casa ocupará, assim como o PT, oito da das 65 cadeiras do colegiado parlamentar, o maior número destinado a um partido.
Os comentários estão desativados.