Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de dezembro de 2015
Mauro Hoffmann, ex-sócio da boate Kiss juntamente com Elissandro Spohr, foi ouvido pela Justiça na tarde dessa quinta-feira em Porto Alegre. Interrogado no Foro Central, o quarto e último réu no processo depôs por mais de cinco horas e atribuiu as causas da tragédia na casa noturna, que acabou resultando na morte de 242 pessoas e 636 feridos, ao uso de artefatos pirotécnicos por parte da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava na Kiss na madrugada de 27 de janeiro de 2013.
Assim como Spohr, que falou à Justiça na quarta-feira, em Santa Maria, Hoffmann criticou as autoridades que liberaram a boate, principalmente o Ministério Público, que liberou o funcionamento da Kiss em 2009 a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta decorrente de um processo relativo a poluição sonora. “Eu estou sentado aqui porque eu confiei no Ministério Público”, citou o ex-sócio. Em determinado momento de seu depoimento, ele afirmou que nunca se sentiu proprietário da Kiss, uma vez que frequentava a boate, “ficava duas horas, no máximo, e ia embora”.
O empresário respondeu a todas as perguntas e destacou que, caso a planta da boate Kiss fosse original, a tragédia “teria sido muito maior”. Falou ainda que seu envolvimento com a administração da casa noturna era restrito ao enfoque financeiro, e de que era informado pelo sócio sobre os aspectos legais do estabelecimento.
Os outros três réus assistiram à oitiva: Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, músicos da Gurizada Fandangueira, e o ex-sócio Elissando Spohr. A audiência foi presidida pelo titular da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, juiz Ulysses Louzada, responsável pelo julgamento. Os quatro são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe e emprego de fogo, asfixia ou outro meio insidioso ou cruel que possa resultar perigo comum, e por homicídio com dolo eventual – quando a pessoa assume o risco de matar –, consumado 242 vezes e tentado 636 vezes.
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