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Cultura Acervo de Vinicius de Moraes com 11 mil documentos agora está ao alcance de um clique

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Vinicius era poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata. (Foto: Divulgação)

Se brigas de família em torno de heranças vivem emperrando a obra de gênios criadores pelo mundo afora, este, definitivamente, não é o caso dos Moraes. Para os herdeiros de Vinicius (1913-1980), a ordem sempre foi fazer as criações do poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata carioca circularem entre o maior número possível de pessoas. E agora, a nuvem é o limite na difusão desse legado, já que, a partir de hoje (quinta, 27), seis mil registros que contemplam mais de 11 mil documentos originais do acervo do poeta estão ao alcance de um clique com o lançamento do projeto Acervo Digital Vinicius de Moraes (no site acervo.viniciusdemoraes.com.br). Ao todo, são 34 mil imagens, que levaram oito meses para serem digitalizadas.

Toda essa documentação está guardada no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa desde o final da década de 1980, quando a família fez uma série de doações à instituição. Em 1992, esse baú, que constitui parte importante da memória da cultura brasileira, ficou disponível para consulta pública. Com a nova iniciativa, a ideia, além de salvaguardar os documentos, é disponibilizá-los gratuitamente para um número ilimitado de pesquisadores, professores, escritores, músicos e todo mundo que se interessar pela história de um dos mais profícuos artistas nacionais.

“O Brasil é um país pobre com pouquíssimo acesso à cultura, e a obra do Vinicius é um bem público, muito estudada, desde o jardim de infância à faculdade. E tudo que um poeta quer é o que? Ser lido!”, analisa Maria Gurjão de Moraes, 51 anos, filha caçula e temporã do compositor, também pai de Pedro, Georgiana, Suzana e Luciana (essas duas já falecidas). “Cresci ouvindo que Vinicius tinha muitos filhos, cada um de uma mãe diferente, de idades distintas, e que iríamos brigar…”.

Não foi o que aconteceu, ainda bem, como conta Maria.O legado do Vinicius é de amor e, desde que a gente abriu a VM Cultural (empresa criada em 1988 para administrar os direitos do poeta) só nos aproximamos”, garante ela. “Trabalhamos muito para manter a memória dele viva. Desde as filhas que já se foram, até as novas gerações da família. Vinicius sempre foi muito cuidado por todos, muito mimado em vida e continua sendo até hoje. Todo mundo faz com muito carinho porque entende a importância dele.”

E outra geração dos Moraes pegou firme esse bastão. Tanto que o projeto de digitalização e disponibilização da obra remotamente foi idealizado e coordenado por Julia Moraes, com coordenação técnica e design de Marcus Moraes. A dupla é, respectivamente, neta e sobrinho-neto de Vinicius. Foram eles que acompanharam de perto todo o processo.

O acervo, com poemas, textos em prosa, letras de música, peças, roteiros, discursos e notas, está dividido em três grandes séries: “Correspondências”, “Produção Intelectual” e “Documentos Diversos”. As cartas são um capítulo a parte. Há desde bilhetes trocados com parceiros musicais como Baden Powell e Tom Jobim, e com amigos estrangeiros como Orson Welles, a um amplo bate-bola intelectual com Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira – a quem Vinicius pede opinião sobre seu poema “Pátria minha” com receio de ter problemas políticos. Há ainda uma correspondência de Charles Chaplin agradecendo o envio da primeira edição da revista “Filme”, fundada por Vinicius em Los Angeles.

É possível consultar o roteiro decupado do filme “Orfeu Negro”, dirigido pelo cineasta francês Marcel Camus, além da versão francesa do texto e uma entrevista de Vinicius revelando que adaptou a peça “Orfeu da Conceição” para o cinema em apenas 15 dias. Na área musical, são mais de 260 letras, algumas, com mais de uma versão. Destacam-se “Insensatez”, “Chega de saudade”, “Canto de Ossanha” (quatro versões), “Canção do amanhecer” (nove versões), “Por toda a minha vida”, “Tarde em Itapoã”, “Samba da bênção” e “A minha namorada”. Na poesia, todos os livros de Vinicius de Moraes estão disponíveis para leitura, assim como manuscritos, versões datilografadas, provas tipográficas e textos com mais de uma versão. As informações são do jornal O Globo.

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