Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de novembro de 2018
Tiago Henrique da Silva, o jornalista brasileiro detido com outros dois colegas pelo exército venezuelano na última segunda-feira (12), afirma que o grupo foi confundido com espiões pelos militares, que disseram suspeitar que eles estavam colhendo informações na fronteira como parte de um complô para invadir o país. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Tiago, 31 anos, foi abordado por um militar quando entrevistava imigrantes na zona neutra na fronteira entre os dois países. Ele estava acompanhado de uma técnica de som brasileira e um diretor espanhol, que gravavam um documentário.
Segundo seu relato, os três foram interrogados, tiveram suas câmeras e celulares revistados e foram obrigados a passar a noite em condições precárias em uma base militar da cidade de Santa Elena, no lado venezuelano. Foram liberados no dia seguinte, após 18 horas. “Eles falaram que desconfiavam de que havia um complô entre Espanha, Colômbia e Brasil para uma intervenção militar na Venezuela. Disseram que havia um drone colombiano sobrevoando aquela base militar, que tinham atirado nele”, conta o brasileiro.
De acordo com Tiago, um dos cartões de memória da técnica de som que o acompanhava trazia trechos de um documentário institucional que ela havia feito no passado para uma empresa de petróleo colombiana, e isso foi motivo de desconfiança. “Ela também havia visitado a Espanha, e o diretor do filme, que estava com a gente, é espanhol. Os militares associaram esses fatos e perguntaram se havia esse complô”, conta.
Até a carteira de trabalho do brasileiro, em que havia um registro antigo dele como operador de telemarketing, foi motivo de questionamento. “Confundiram e ficaram perguntando se eu era engenheiro de telecomunicações”, diz. “Foram bem incisivos. A situação só não ficou pior por causa da minha credencial de jornalista.”
Os comentários estão desativados.