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Mundo Acusações de racismo proferidas por Harry e Meghan extrapolam a briga na família real

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Monarquia britânica encara o maior desafio desde a morte de Diana, com danos à sua imagem e à do país

Foto: Reprodução
Monarquia britânica encara o maior desafio desde a morte de Diana, com danos à sua imagem e à do país. (Foto: Reprodução)

O desabafo de Harry e Meghan sobre racismo e rejeição dentro da realeza saiu da esfera familiar para pôr em xeque os valores da monarquia britânica no século XXI e, em última forma, embaçar a imagem do Reino Unido no exterior. Dois dias após a entrevista do casal, o Palácio de Buckingham rompeu um incômodo silêncio, para dizer que as questões raciais serão investigadas e tratadas “em particular” pela família real.

É difícil consertar esse imbróglio, sobretudo quando os príncipes revelam que o racismo motivou a decisão de deixar a realeza e o país. A rainha se disse preocupada e entristecida com as revelações de Harry e Meghan de que um membro da família se mostrou apreensivo pela cor de pele do filho do casal que estava para nascer.

Tratar o assunto no âmbito familiar, contudo, parece pouco diante da repercussão da entrevista incendiária. Os súditos da rainha ainda digerem os detalhes do inferno descrito pela duquesa de Sussex e pelo príncipe. E se dão conta de que não passaram de uma farsa o conto de fadas e os sinais de abertura e modernização da monarquia, testemunhados por milhões de pessoas há três anos, durante o casamento real.

Sob o impacto da devastação, a monarquia britânica encara o maior desafio para a instituição desde a morte da princesa Diana. “Harry está explodindo sua família fazendo o que Meghan quer”, sentenciou o premiê Boris Johnson procura se manter alheio à briga familiar, mas derrama elogios à rainha Elizabeth, também preservada pelo casal dissidente.

Como observou o líder trabalhista, Keir Starmer, as alegações de racismo são maiores do que a disputa na família real, que está em turbulência: precisam ser levadas “muito, muito a sério”. “É um lembrete de que muitas pessoas vivenciam o racismo na Grã-Bretanha do século XXI. Por muitos anos, temos sido desdenhosos, dispostos a deixar essas questões de lado.”

Uma pesquisa do YouGov realizada após a entrevista de Oprah Winfrey mostrou o público britânico dividido em relação ao tratamento dado a Harry e Meghan pela realeza: 32% consideram justo; 32%, injusto; e 36% não sabem opinar. Sobre a disputa, 36% tendem a ficar do lado da rainha Elizabeth II e 22%, com o casal. A família real caiu 2 pontos e os duques subiram 4 pontos em relação à última sondagem.

De fora, vieram manifestações de solidariedade aos príncipes. A secretária de imprensa do presidente Joe Biden elogiou a coragem de Harry e Meghan, ao contarem sua história pessoal e a luta da duquesa para preservar sua saúde mental.

A ex-primeira-dama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton se disse chocada e criticou a realeza por não oferecer apoio à duquesa da “crueldade ultrajante” praticada pelos tabloides britânicos: “Foi comovente ver os dois sentados ali, tendo que descrever como era difícil ser aceito e integrado, não apenas pela família, mas mais dolorosamente pela sociedade, cuja narrativa é dirigida por tabloides que vivem do passado.”

Soa como exagero afirmar, contudo, que por essas razões a monarquia britânica está mais perto do fim. Mas nem por isso pode se dar ao luxo, como instituição que representa, de simplesmente esperar a tempestade passar.

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