Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2025
Bolsonaro já teve envolvimento com a CIDH tanto como denunciado quanto como denunciante.
Foto: Lula Marques/Agência BrasilA defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pretende reforçar a tese de que ele é “o ex-presidente mais investigado da história” e se prepara para intensificar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia ganhou força após a decisão unânime da 1ª Turma da Corte, que tornou Bolsonaro réu.
Segundo a revista Veja, aliados e advogados do ex-presidente avaliam acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando cerceamento de defesa e irregularidades processuais no julgamento.
Bolsonaro já teve envolvimento com a CIDH tanto como denunciado quanto como denunciante. Em 2020, o PT acionou a entidade acusando o então presidente de negligência na condução da pandemia de Covid-19. Mais recentemente, Bolsonaro reuniu-se com representantes da Corte para acusar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “atacar a liberdade de expressão e perseguir adversários políticos no Brasil”.
Apesar da movimentação da defesa, não há garantias de que a estratégia trará efeitos práticos, além do simbolismo. Paralelamente, os advogados continuarão apresentando recursos ao STF, apontando supostas irregularidades no processo.
Conversas sobre “alternativas”
Em entrevista recente, Bolsonaro admitiu ter discutido com auxiliares “alternativas” após sua derrota para Lula (PT) em 2022. Questionado se isso configuraria tentativa de golpe, ele negou: “Golpe não tem Constituição. Tudo o que estava em discussão consta na Carta Magna”.
O ex-presidente afirmou que as hipóteses levantadas foram rapidamente descartadas por diversos fatores. “O ‘after day’, como é que fica?”, questionou. Segundo ele, um golpe não seria algo simples ou imediato. “A história mostra que um golpe não se resolve em meses, mas em anos.”
Bolsonaro também revelou ter debatido com militares medidas como estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal em 2022, quando percebeu que não teria mais espaço para recorrer na Justiça Eleitoral.
“Se não se pode falar em estado de defesa ou de sítio, então que se revogue isso. Agora, quando alguém aborda o tema e outra pessoa discorda, passa a ser golpe?”, afirmou.
Nos bastidores, aliados de Bolsonaro dizem que ele busca reforçar a narrativa de perseguição política como forma de mobilizar sua base de apoiadores. A estratégia inclui discursos mais incisivos contra o STF e tentativas de internacionalizar sua situação, apostando que organismos estrangeiros possam pressionar o Judiciário brasileiro.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo e especialistas avaliam que a insistência na tese de perseguição pode gerar desgaste. “Nenhum tribunal internacional tem poder para reverter decisões do STF. Isso é mais um movimento político do que jurídico”, avalia um analista ouvido sob reserva.
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