Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 19 de setembro de 2018
Os agentes da PF (Polícia Federal) que, no dia 6 deste mês, fizeram a escolta de Jair Bolsonaro (PSL) não contavam com equipamentos de rádio para se comunicar quando o presidenciável foi vítima de um atentado a faca, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Bolsonaro foi ferido no abdômen e está internado na unidade de terapia semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Sem rádio, eles conversaram entre si por meio de gestos e mensagens enviadas em um grupo no WhatsApp. Estavam misturados ao público, sem uniformes e alguns sem distintivos à mostra. A PF disse que “rádio nem sempre é o meio de comunicação mais indicado em situações de multidão”, mas não apontou qual a alternativa mais adequada para aquele momento.
Policiais federais que trabalharam em escolta de dignitários disseram, com a condição de anonimato, que em casos em que se escolta uma autoridade em um evento público aberto é recomendado o uso de aparelhos que consistem em um ponto eletrônico encaixado no ouvido e um pequeno microfone escondido na roupa em uma parte que facilite levá-lo até a boca.
Esses rádios não têm fio e permitem que os seguranças fiquem com as mãos livres para entrar em ação, puxando uma arma, por exemplo. No dia do ataque, Bolsonaro era escoltado por sete policiais federais da equipe permanente de acompanhamento da sua campanha. Outros seis agentes da PF de Juiz de Fora foram requisitados para reforçar a segurança naquele dia. Foram os policiais federais que socorreram Bolsonaro após o ataque.
Ao todo, 17 agentes se revezavam na equipe permanente de proteção do candidato desde o início da campanha. Após o ataque, a PF decidiu reforçar o contingente para até 25 policiais. A responsabilidade por disponibilizar os equipamentos para os policiais federais é do delegado da PF Daniel França, coordenador da equipe que protege Bolsonaro. França, porém, não estava em Juiz de Fora no dia do ataque ao presidenciável.
A Polícia Federal não informou a razão da ausência e disse que “a função do coordenador de equipe é viabilizar o trabalho de segurança, tarefa nem sempre realizada em campo”. Na sexta-feira (14), a Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) protocolou um questionamento direcionado ao diretor-geral da PF, Rogério Galloro, sobre os critérios para a escolha dos chefes das equipes responsáveis pela segurança dos pré-candidatos à Presidência. O documento diz que “delegados sem nenhuma experiência na função têm sido convocados para assumir a coordenação das equipes, o que representa um risco para a atividade”.
Os sete agentes da escolta do candidato do PSL estiveram no dia 12 com o presidente da Fenapef, Luís Boudens, em Brasília, e se queixaram da falta do equipamento no dia do atentado. Essa reclamação também consta no documento enviado pela Fenapef a Galloro.
No dia seguinte ao atentado, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), candidato ao Senado e filho do presidenciável, disse não suspeitar de brecha no esquema montado para proteger seu pai. “Eu não acho que tenha havido falha de segurança. Ele estava ali muito bem calçado, estava nos ombros, inclusive, de um pessoal da Polícia Federal”, afirmou.
Os próprios policiais federais admitem que carregar o candidato é inadequado, mas disseram ser inevitável diante do comportamento dos eleitores de Bolsonaro, que têm o hábito de levantá-lo assim que ele sai do aeroporto. Em Juiz de Fora, os agentes consideraram melhor que ele fosse conduzido por policiais do que por eleitores.
Na hora do atentado, Bolsonaro estava no ombro de um agente de segurança que havia se voluntariado para ajudar na proteção do candidato. Durante a campanha, policiais militares e civis e agentes penitenciários pedem para ajudar na escolta. Os federais costumam aceitar a ajuda.
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