Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de março de 2016
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O PT tem grande chance de mostrar que sabe andar sozinho, sem parcerias de ocasião. Desde sua origem, propôs-se a defender uma nova sociedade, livre das amarras do conservadorismo.
Em 2002, sob orientação de José Dirceu, cedeu aos encantos de grandes grupos. Lançou a Carta aos Brasileiros, admitindo as regras tradicionais do jogo político e econômico. Já são 13 anos e três meses desde a primeira vitória em eleição presidencial. Período durante o qual o PT praticou parte de seu programa. Falta o resto: as reformas tributária, política, da Previdência, além de auditoria rigorosa na dívida pública que chegará aos 3 trilhões de reais no final deste ano. Mesmo com maioria no Congresso Nacional, deixou de pôr em prática muitas promessas.
Falar em novo governo sem o PMDB, mas unindo-se ao PP e ao PR, significa renunciar à chance de ser autêntico e se livrar de amarras.
CAÇA AO TESOURO
Depois que o ex-presidente Lula falou em “abertura total para negociar cargos”, deputados federais de partidos médios e pequenos se animam. Desde ontem, andam em busca de gabinetes da Câmara onde acreditam que estão os mapas de vagas deixadas pelo PMDB. Na linguagem da baixa política são chamados de balcões de negociações.
NÃO BASTA QUERER
Seis integrantes do PMDB pretendem se manter nos ministérios. Vão se frustrar. A exceção será Kátia Abreu na Agricultura pela amizade com a presidente Dilma. Os demais terão de pegar o chapéu. Ao governo interessa quem garanta votos na Câmara dos Deputados durante a decisão sobre o impeachment.
PINGUE-PONGUE
Cada vez que a presidente Dilma e Lula falam em golpe, surge um ministro do Supremo Tribunal Federal para avisar que “impeachment é instrumento previsto na Constituição”.
PASSOU DO LIMITE
Atendendo ao clamor da população, a Ordem dos Advogados do Brasil entrará com ação judicial, na próxima semana, cobrando do governo do Estado a garantia de recursos para a Segurança Pública.
TROCAS
Cinco vereadores de Porto Alegre mudaram de partido: Mário Manfro (ex-PSDB) e Luciano Marcantonio (ex-PDT) foram para o PTB; Mauro Pinheiro (ex-PT) para a Rede; Doutor Tiago (ex-PDT) para o DEM e Séfora Mota (ex-PRB) para o PSB.
NA CARONA
A 31 de março de 2006, o senador Pedro Simon denunciou que Renan Calheiros e José Sarney, integrantes da ala governista do PMDB, agiam para inviabilizar a prévia e a candidatura própria à Presidência “porque conseguiam tudo o que queriam do presidente Lula”. Segundo Simon, Calheiros tinha o sonho de ser vice na chapa do PT à reeleição, enquanto Sarney tentava o mesmo para sua filha Roseana.
RÁPIDAS
* Pela primeira vez, a direção do Cpers pede que a Secretaria da Fazenda participe da mesa de debates sobre salários. E um avanço.
* Dos 67 deputados federais do PMDB, o governo nunca teve o apoio de mais do que 30.
* Na sessão solene da Câmara dos Deputados, ontem, que comemorou os 50 anos do PMDB, até a bancada do PC do B se manifestou. A do PT silenciou.
* A decisão de sair do governo federal obteve 102 votos na reunião do diretório nacional do PMDB. Do total de 119 delegados, 17 se ausentaram, sendo seis paranaenses.
* O site da BBC de Londres perguntou ontem: conciliador ou mordomo de filme de terror, afinal, quem é Michel Temer?
* O tradicional agosto de turbulências políticas será antecipado para abril.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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