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Saúde Álcool e adolescentes: apesar de proibido, consumo é comum; saiba como lidar

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Como se trata de menores de idade, o tema envolve questões de saúde, de comportamento e também jurídicas.

Foto: Reprodução
O consumo de álcool altera as bactérias intestinais, o que pode influenciar o crescimento e a disseminação de cânceres. (Foto: Reprodução)

Quem tem adolescente em casa sabe que alguns assuntos acabam gerando muita polêmica na família e nos grupos de mães e pais nas redes sociais. Bebida alcoólica na balada é um deles. São cada vez mais comuns as “sociais” ou “resenhas”, como eles chamam, em que rola álcool, energético e nenhuma comida.

Falta fiscalização nessas baladas, e os jovens estão bebendo cada vez mais cedo. Sem contar que alguns usam RG falso com o consentimento dos pais, o que é crime. Como se trata de menores de idade, o tema envolve questões de saúde, de comportamento e também jurídicas, já que a venda, a oferta e o consumo de álcool para quem tem menos de 18 anos são proibidos.

O psiquiatra e doutor em medicina pela USP, Guilherme Messas, explica que “a bebida representa uma experiência de acesso ao mundo adulto. Como o comportamento de consumo de bebidas alcoólicas é observado no mundo adulto com regularidade, serve como um modelo a ser seguido pelos adolescentes e jovens. Também a possibilidade de alterar a própria consciência e experimentar novos estados psicológicos importa para os jovens, já que eles estão exatamente em uma idade de renovação da personalidade. E o álcool é uma alternativa fácil que a sociedade oferece para essa experimentação, sem orientar os jovens e adolescentes a respeito dos riscos”.

Quais são as implicações de um adolescente começar a beber? Segundo o psiquiatra, “os comportamentos aprendidos precocemente se enraízam mais profundamente em nossa personalidade e são mais difíceis de modificar. Eles ficam sempre como uma alternativa para nossas vidas. Psicologicamente, isso quer dizer que alguém que aprende a beber cedo, vai ter a embriaguez como uma alternativa de comportamento toda vez que tiver uma dificuldade psicológica ou quiser experimentar prazer. Essa precocidade coloca o organismo sob os efeitos da droga etanol por mais anos, elevando a chance de uma série de doenças que encurtam a vida ou pioram a qualidade de vida”.

Como lidar com isso?

Para o médico, “é importante dizer que é proibido por lei oferecer bebida alcoólica a menores. Isso inclui a oferta por parte dos pais. Pode-se dizer que essa lei não esteja funcionando muito no Brasil, mas ela existe e há boas razões para isso. Assim, lembrar aos adolescentes que eles não podem beber, que é contra a lei, é algo que as famílias devem fazer. E isso funciona. Claro que essa proibição não impede que todos os adolescentes bebam, mas ela vai conseguir reduzir a frequência e quantidade de bebida, protegendo esses jovens dos riscos a que ficariam submetidos, caso beber fosse estimulado. Beber somente cerveja não melhora em nada o risco dos adolescentes”.

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