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Saúde Alta no uso de antibióticos por pandemia causará mais mortes, alerta a Organização Mundial da Saúde

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A OMS considera que só uma pequena parte de pacientes com Covid-19 precisa de antibióticos

Foto: Reprodução
Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre seis e oito milhões de pessoas podem ter morrido até o momento. (Foto: Reprodução)

O aumento do uso de antibióticos para combater a pandemia de Covid-19 aumentará a resistência bacteriana e em última instância provocará mais mortes durante a crise sanitária e depois, advertiu nesta segunda-feira (01) a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que há um “número preocupante” de infecções bacterianas que estão se tornando cada vez mais resistentes aos remédios usados tradicionalmente para combatê-las.

A agência sanitária da ONU (Organização das Nações Unidas) se declarou preocupada de que o uso inapropriado de antibióticos durante a crise do coronavírus contribuirá para isto.

“A pandemia de Covid-19 levou a um aumento no uso de antibióticos, que provocará níveis maiores de resistência bacteriana e repercutirá no lastro da doença e nas mortes durante a pandemia e depois”, disse o diretor-geral em uma coletiva de imprensa virtual da sede da OMS em Genebra.

A OMS considera que só uma pequena parte de pacientes com Covid-19 precisa de antibióticos. A organização emitiu um guia para que os médicos não administrem antibióticos ou profilaxia para os pacientes com formas brandas de Covid-19 ou a pacientes com forma moderada da doença sem que haja uma suspeita clínica de infecção bacteriana.

Tedros disse que as recomendações deveriam permitir fazer frente à resistência antimicrobiana, salvando vidas. A ameaça da resistência antimicrobiana é “um dos desafios mais urgentes do nosso tempo”, advertiu.

“Está claro que o mundo está perdendo a capacidade de usar medicamentos antimicrobianos fundamentais”. Alguns países recorrem a um uso “excessivo” de antibióticos, enquanto nos de baixa renda, estes medicamentos essenciais não estão disponíveis, o que leva a um “sofrimento desnecessário e à morte”.

Enquanto isso, alertou a OMS, a prevenção e o tratamento de doenças não transmissíveis foram seriamente alterados desde o início da pandemia de Covid-19 em dezembro, como demonstra um estudo feito em 155 países. “Esta situação tem especial importância, já que as pessoas que vivem com estas doenças estão mais expostas à forma mais grave de Covid-19 e à morte”, disse.

O estudo, feito durante três semanas em maio, concluiu que os países com renda mais baixa são os mais afetados. Cerca de 53% dos países reportaram interrupção parcial ou total dos serviços para o tratamento da hipertensão, 49% no caso dos tratamentos para diabetes, 42% no câncer e 31% no caso das emergências cardiovasculares.

As razões mais comuns para a interrupção ou a redução dos serviços foram as anulações dos tratamentos previstos, um declínio do transporte público disponível e a falta de pessoal porque os trabalhadores sanitários firam realocados para o tratamento de casos de Covid-19.

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