Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de julho de 2015
Quatro anos e seis meses após assumir o Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT) confidenciou a amigos que deseja deixar o governo. Um dos últimos remanescentes do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o ministro já dava sinais de esgotamento desde o fim do ano passado. Ficou no cargo devido à turbulência da Operação Lava-Jato, que investiga desvios de dinheiro na Petrobras. Mas a situação se agravou com as pressões de correligionários para que ele deixe a cadeira justamente porque a Lava-Jato avança sobre os principais expoentes da sigla. A PF (Polícia Federal), que investiga o esquema de corrupção na estatal, é subordinada ao ministro. Procurado, Cardozo disse apenas que “permanece no cargo durante o tempo em que a presidenta avaliar que devo permanecer”.
Aos mais próximos, Cardozo tem dito estar “de saco cheio” e lembra que todo ministro tem “prazo de validade”. Ele afirma, em conversas reservadas, que há uma “fadiga de material” ao lembrar ser o ministro da Justiça mais duradouro do período democrático. O segundo é Márcio Thomaz Bastos (1935-2014), que ficou quatro anos e dois meses no cargo. Cardozo disse em privado que o cargo representa custo pessoal alto. Recentemente, ele sofreu uma bem-sucedida cirurgia na tireoide.
Parte dos seus interlocutores desconfia da real intenção de Cardozo em deixar o cargo. Eles acreditam que o ministro busca, na verdade, um afago de Dilma para permanecer no governo fortalecido, em meio ao tiroteio petista contra sua permanência na pasta.
Na semana passada, a executiva nacional do PT decidiu convidar Cardozo a dar explicações ao partido sobre a atuação da PF. Não houve nenhuma defesa pública de Cardozo, justamente o ministro escalado pela presidenta para defender o governo em momentos de crise.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixa a interlocutores de que o titular da Justiça, da cota pessoal de Dilma, perdeu o controle da PF.
Se Cardozo sair, o único nome no momento citado para substituí-lo é o do secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcellos, próximo de Dilma, mas com pouca densidade política. É quase certo que uma saída de Cardozo do governo levaria a mudanças no alto escalão da PF. O atual diretor-geral da corporação, Leandro Daiello, é homem de sua confiança. (Folhapress)
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