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Saúde Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, atrás apenas do câncer

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A demência é um termo que engloba diferentes doenças, sendo o Alzheimer a forma mais comum.

Foto: Unsplash
A intervenção com os cogumelos ocorreu em uma clínica privada, dentro da legislação local, e com a autorização dos responsáveis legais da paciente. (Foto: Unsplash)

O Alzheimer é a segunda doença que os brasileiros mais temem que atinja alguém próximo, ficando atrás apenas do câncer e à frente de enfermidades como Parkinson e Aids. Apesar do receio, especialistas apontam que o medo ainda está fortemente associado ao desconhecimento sobre a doença, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

Para a geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), o estigma em torno da demência afasta muitas pessoas dos serviços de saúde. “O medo da doença faz com que muitos evitem procurar ajuda. Ainda existe a ideia de que demência é algo natural do envelhecimento, e isso não é verdade. Sempre que há mudanças cognitivas é preciso investigar”, afirma.

A geriatra Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destaca que o nível de preocupação com o Alzheimer chama atenção mesmo entre pessoas mais jovens. Segundo ela, trata-se de um grupo que, em geral, não está sob risco imediato para demência, o que reforça a dimensão do temor em torno da doença.

Esse cenário pode estar relacionado ao envelhecimento da população e ao aumento do número de pessoas que convivem com casos próximos. De acordo com o levantamento, quatro em cada dez brasileiros afirmam conhecer alguém com diagnóstico de Alzheimer.

Quando questionados sobre a importância de um diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento, a maioria dos entrevistados associa essa necessidade ao câncer. Já no caso do Alzheimer, a percepção é menor, apesar de haver consenso quase total sobre a importância de procurar um médico aos primeiros sinais da doença. Na prática, no entanto, a busca por atendimento costuma ocorrer tardiamente, muitas vezes apenas quando os sintomas já estão mais avançados.

Segundo especialistas, essa percepção está ligada à visão ainda predominante de que o Alzheimer leva rapidamente à perda total de autonomia. Hoje, porém, o acompanhamento precoce pode mudar esse quadro. Embora não tenha cura, a doença possui tratamento, e intervenções iniciadas nas fases iniciais podem retardar sua progressão e preservar a qualidade de vida.

Com medicação adequada, prática de atividade física e estímulos cognitivos, muitos pacientes conseguem manter autonomia por anos e seguir com atividades sociais. “A realidade atual é diferente da imagem que ainda predomina no imaginário coletivo”, afirma Pinheiro.

Outro desafio relevante no país é o alto índice de subdiagnóstico. Dados do Relatório Nacional de Demências (Renade), divulgados pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que cerca de 80% dos casos de demência no Brasil não são diagnosticados. O percentual é superior ao observado em regiões como Europa e América do Norte.

A demência é um termo que engloba diferentes doenças, sendo o Alzheimer a forma mais comum. Em geral, caracteriza-se por déficits cognitivos que afetam memória, linguagem e capacidade de planejamento, comprometendo a autonomia do indivíduo.

Especialistas alertam que sinais como dificuldade de comunicação, esquecimentos frequentes ou alterações no comportamento não devem ser ignorados, independentemente da idade. Em pessoas mais jovens, esses sintomas podem estar associados a outras condições, como depressão, deficiência de vitamina B12 ou problemas na tireoide, mas também exigem avaliação médica.

A pesquisa foi realizada pelo instituto Datafolha, a pedido da farmacêutica Eli Lilly, com 2.002 pessoas com mais de 16 anos, em todo o país, em dezembro do ano passado. (Com Folhapress)

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