Domingo, 07 de junho de 2026
Por Tito Guarniere | 29 de março de 2025
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Entre as facções da direita e do bolsonarismo está desfraldada a bandeira da anistia, em favor dos manifestantes da intentona golpista de 8 de janeiro de 2023.
Não se trata de um movimento nacional, como foi a campanha da anistia nos anos 70 do século passado. A rigor, quem pede o benefício é o bolsonarismo, uma vez que se forem anistiados “os patriotas” do 8 de janeiro, então estará aberta a porta para que Jair Bolsonaro possa ser também beneficiado, e desse modo disputar o pleito presidencial de 2026.
Trata-se portanto de uma anistia de ocasião, diferente da de 1979, que se deu no âmbito do arranjo político que pôs fim ao ciclo autoritário de poder – o movimento militar, a ditadura de 1964, ciclo esse que viria a se completar em 1985.
Aquela anistia era para botar uma espécie pá de cal nos episódios dramáticos que perduraram durante 20 penosos anos desde 1964. Era para ser ampla, geral e irrestrita, e recíproca entre as partes em conflito, o estamento militar e seus aliados civis de um lado, e o restante da sociedade, de outro. Um arranjo possível.
Mas a anistia ora aventada é outra coisa. É cedo para conceder anistia aos envolvidos, indiciados, réus, ou nos casos em que não se esgotaram todas as instâncias de julgamento. Falta-lhe a aprovação ampla, maciça da sociedade: o apoio de uma só facção é suspeito, atuando em causa e interesse próprio, ainda mais sendo aquela comprometida até a medula com o golpismo de 8 de janeiro.
O Brasil está fragmentado, em convulsão, sedento de mau querer e de ódio. É pouco provável que a anistia devolva ao país um clima de mútuo respeito entre as forças rivais que se opõem.
É completamente falsa a narrativa de que os manifestantes de 8 de janeiro eram apenas patriotas zangadinhos, velhas senhoras idealistas, no máximo inocentes úteis, protagonistas de uma aventura desmiolada. Gente pacífica – porém capaz de arrombar portas, quebrar vidraças e vandalizar prédios públicos. Eles podiam ignorar as consequências dos seus atos, mas sabiam muito bem que, quando escalaram as rampas e depredaram os prédios ao redor da Praça dos Três Poderes, o que estava em jogo era impedir a posse do governante eleito em 2022.
A data de 8 de janeiro de 2023 marca a mais insólita e temerária incursão golpista e, por mais que neguem, a demonstração cabal da intenção de ruptura da ordem democrática. É bom lembrar que da trama conspiratória sempre fez parte o armamento da população como política de Estado e os malsinados acampamentos ao redor dos quartéis.
Os inquéritos, os processos em curso têm o defeito de serem intermináveis, de sentenciar penas draconianas aos culpados, ou assim considerados. Acho justo e até necessário contestar. Mas não dá para passar o pano no fato de que dizem respeito a uma gravíssima ameaça ao estado de Direito, à democracia. Se os “patriotas” tivessem levado a cabo as suas intenções, o Brasil estaria amargando uma nova ditadura.
Penas menores para os “patriotas”? É defensável. Anistia? É preciso dar um tempo, um bom tempo, e nunca uma anistia geral – exclua-se dela chefes, comandantes, os cabeças do golpe, que todos sabem quem são.
(titoguarniere@terra.com.br)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Em 1979 foram ansitiados assassinos, terroristas, sequestradores e todo o tipo de bandidos que queriam a implantação da ditadura do proletariado!
Tivessem tido sucesso, hoje seriamos uma Cuba Rússia ou Coreia do Norte!
Os presos políticos de hoje são cidadãos que fizeram uma balbúrdia que está muito longe de se um golpe e, salvo algumas exceções, nenhum bandido!
Colunista tendencioso querendo comparar alhos com bugalhos!