Quinta-feira, 06 de agosto de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 6 de agosto de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Sou médico há mais de 50 anos.
Juntamente com todos meus colegas de muitos anos de profissão, temos a mesma opinião: nunca foi tão deteriorada e ruim a saúde do nosso país.
Os pacientes esperam por dias, meses, por uma consulta. Aguardam anos por uma cirurgia eletiva.
A ideia do SUS é boa. Foi criado em 1988 e oferece acesso universal ao Sistema de Saúde. Sorrateiramente e furtivamente o Governo Federal abdicou de sua total responsabilidade com a saúde e transferiu parte do necessário investimento para os estados (12%) e para os municípios (15%).
Com raras exceções, na prática nenhum dos três cumpre com fidelidade estas propostas iniciais. O subfinanciamento crônico sufocou o SUS!!
No futuro ele ficará ainda mais dispneico pelo envelhecimento da população e pelo custoso e rápido avanço tecnológico que envolve a medicina.
Hoje, no Brasil, existem aproximadamente 1.700 Santas Casas e hospitais filantrópicos. Os valores pagos pelo SUS não cobrem os custos reais dos procedimentos. Isso leva a um déficit operacional mensal contínuo.
A Santa Casa de Porto Alegre perde mensalmente a cifra inacreditável de 15 milhões de reais. Como diz nosso provedor Alfredo Englert, a Santa Casa é o maior financiador da saúde no país.
Por ano entregamos 180 milhões ao Sistema, que são cobertos por vendas de serviço, tais como: atendimento aos planos de saúde e particulares, estacionamento, cemitério, cafeterias e bônus do ensino e da pesquisa.
Inconcebivelmente e espantosamente o governo paga R$ 0,76 por um hemograma, menos que um real.
Por um parto, que é necessário pagar o obstetra, o anestesista, o pediatra a enfermeira, toda medicação e a estrutura hospitalar, o SUS paga R$ 443,00. É por isso que mais da metade dos municípios do Rio Grande do Sul não tem centros obstétricos. Não registram nascimentos.
A perversidade do sistema é tão flagrante que ele não se importa nem se sensibiliza pelo fato da Santa Casa pagar cem mil reais por dia com a conta da luz.
Deveria ter algum tipo de benefício pois entrega vida ao nosso povo.
O PROGRAMA ASSISTIR do governo estadual tenta distribuir de forma mais justa e transparente recursos para hospitais que atendem o SUS. Alcançou 1,4 bilhão este ano. A Santa Casa deveria receber 10% deste montante, pois atende este percentual de média e alta complexidade no estado.
Receberá somente 46 milhões e deveria receber 140 milhões.
Independente dos governos, bons e maus, a história da Santa Casa é o maior exemplo de solidariedade e compaixão que recebe o povo brasileiro.
A Santa Casa de Porto Alegre tem 222 anos de história e compromisso inarredável, irremovível de cuidado com a saúde dos brasileiros. Porém, não é justo que pague para trabalhar!!!
(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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