Quarta-feira, 22 de julho de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 22 de julho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Volto a escrever histórias sobre os homens de rua. Alguns, nem sempre morando na rua, se apresentam nas sinaleiras erguendo a placa: “Me ajude, estou com fome!”. Confesso que estes não me sensibilizam mais! Entretanto, aqueles que vasculham o lixo procurando algo para comer e amassando latas de refri para colocar nas sacolas pretas montam um cenário de partir o coração.
Semana passada, presenciei uma cena inesquecível. Um morador de rua tirou toda a sua roupa, menos a cueca rasgada. Começou a se banhar em plena calçada, recolhendo água da torneira de um jardim. Usava um copo de plástico para se banhar. Repetiu o ato muitas vezes.
A água escorria da cabeça até os pés. Incrédulo, ainda presenciei ele lavar suas roupas debaixo da torneira. Evidentemente, não tinha sabão. Estava frio, mas resistiu bravamente à baixa temperatura. Torceu as roupas molhadas e as colocou novamente sobre o corpo encharcado.
Provavelmente ficou aliviado de seu próprio cheiro. Estarrecidas, muitas pessoas assistiram à cena. Diante da perplexidade, alguns transeuntes lançaram frases críticas, mas outros, surpreendentemente, sorriam.
Outro dia, um sábado, caminhando sem destino, encontrei um mendigo vasculhando o lixo. Sempre que vou caminhar, levo no bolso notas de dois e cinco reais. Levo para distribuir aos desafortunados que encontro pelo caminho.
Me sinto aliviado quando faço isto e sempre lembro do imposto de renda!
Após cumprimentá-lo, abanei e entreguei uma nota de cinco reais. Mal-encarado, pegou o papel, rasgou-o em vários pedaços e, jogando-os no lixo, me respondeu: “Não aceito esmolas!”. Desconcertado, não retruquei e me afastei.
Continuei caminhando triste e desapontado. O gesto me magoou profundamente. A grande maioria sorri e diz: “Deus lhe abençoe”.
Provavelmente existem dezenas de relatos sobre estes homens que vivem na rua!
Segundo o Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), em 2022 eram 198 mil pessoas morando na rua. Hoje, quatro anos depois, são 392.389.
Homens de rua, quantas histórias, que vergonha, Brasil!!

* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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Pois é, e dizem por aí que 30 milhões saíram da pobreza , será que ainda existe mais 30 , não sei , mas algo de errado não está certo nesse Brasil .