Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 12 de agosto de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O que qualifica o médico é a sua escola. É a sua formação! O que qualifica o ensino médico é a transferência de conhecimento e experiência de um grande professor para um aluno interessado e receptivo. Hoje estes dois personagens são raros na medicina brasileira.
Estudar e se formar numa escola reconhecida é um sinal de qualidade e confiança. Sem dúvida é um bom cartão de visita para qualquer médico.
Nenhuma faculdade, exigente na escolha do seu corpo docente, larga um aluno ruim.
Em muito países o ensino da medicina é controlado pelo estado de forma exclusivamente pública. Assim ocorre na Noruega, na Suécia, na Grécia, na Dinamarca… A educação médica é prerrogativa do Estado. Sempre foi necessário esforço, dedicação e muito estudo. Entretanto nos EUA além destes pré-requisitos, por existirem escolas médicas privadas, é necessário também dinheiro. Nas faculdades mais caras do mundo o curso médico pode custar acima de 500 mil dólares (Mayo Clinic, Harvard, Johns Hopkins, etc.).
No Brasil hodierno 19% das escolas são federais e 81% são privadas. Até o ano 2000 eram menos de 100 faculdades, hoje são em torno de 500. Por isso aqui é necessário, agora, para cursar medicina, fundamentalmente dinheiro. Também é fácil perceber e entender que neste exíguo período de tempo foi impossível criar um corpo docente qualificado. Aqui, ainda as escolas médicas públicas são as melhores. Entretanto as escolas federais vem perdendo prestigio, ano após ano. Dois fatores são preponderantes neste acontecimento: investimento decrescente ou estagnado na educação e a maléfica ideologização que corrompe e perverte a universidade.
Os salários dos professores universitários federais são vergonhosos. Hoje, alguns são puxados e arrastados para as escolas privadas.
Abrir uma faculdade de medicina no Brasil se tornou um negócio milionário.
O programa governamental “Mais médicos”, sempre priorizou a quantidade. Jamais deu importância a qualidade dos novos formandos.
Hoje temos faculdades de medicina sem hospital, sem laboratório, sem professores qualificados! Sem microscópio e sem cadáveres! O ensino de anatomia é realizado em peças de borracha.
O ENAMED, exame criado para avaliar os egressos das faculdades, concluiu que 30,6% delas não têm as mínimas condições de funcionar.
Ficaram com notas insuficientes (1 e 2). Recebem muito dinheiro para distribuir diplomas para maus médicos. Os cursos reprovados estão sujeitos as punições pelo MEC. As penalidades são: suspensão de novas matrículas, redução e congelamento de vagas. A ideia é muito boa, mas lamentavelmente a justiça brasileira até o presente momento esta proibindo o MEC de punir as escolas de baixo padrão.
No final, os grandes prejudicados serão os pacientes por receberem diagnósticos imprecisos, tratamentos inadequados e prescrição incorreta de medicamentos. Ainda, por não saberem o que procurar, eles oneram o sistema de saúde solicitando inúmeros exames complementares desnecessários e caros. Enfim, a medicina brasileira que já teve reconhecimento internacional vai passar nos próximos anos por um período de total desconfiança.
(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Voltar Todas de Carlos Roberto Schwartsmann
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Desconfiança e pouco, hoje os médicos não sabem diagnosticar nada, você vai ao médico nem examinam a pessoa, e pior dão receitas de medicações perigosas para pessoas alérgicas. Sem falar q pelo sintomas, ficam pesquisando na Internet, qual remédio vão receitar. Um horror!!!!
E vai piorar!