Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Por Renato Zimmermann | 18 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Escrevo este artigo em um momento simbólico: o Ano Novo Chinês de 2026 começou em 17 de fevereiro, inaugurando o Ano do Cavalo de Fogo, o ano 4724 do calendário tradicional. Essa marca temporal nos convida a refletir sobre o caminho que a China percorreu e sobre como suas escolhas moldam não apenas o presente, mas também o futuro da humanidade.
Recentemente, li o artigo “A engenharia do poder: por que a China escolheu engenheiros para governar”, publicado em 18 de fevereiro de 2026 no blog O Novo Normal. O texto mostra como a China estruturou sua liderança política em torno de engenheiros e técnicos, pessoas formadas para pensar em soluções práticas e sistêmicas. Essa decisão não é trivial: ao colocar a ciência e a técnica no centro da política, o país conseguiu alinhar desenvolvimento econômico com avanços em sustentabilidade.
Também escrevi sobre esse tema em minha coluna no Jornal O Sul, publicada em 11 de dezembro de 2025, intitulada “Quando o Brasil era maior que a China – e o que aconteceu depois”. Naquele texto, destaquei que em 1995 o PIB brasileiro era maior que o chinês, mas que a China apostou em políticas públicas de longo prazo, como o Projeto 211, que transformou universidades em centros de excelência e conectou ciência diretamente à indústria. Essa estratégia foi decisiva para que o país se tornasse a potência que conhecemos hoje.
No campo da sustentabilidade, os avanços chineses são notáveis. O país lidera a produção mundial de energia solar e eólica, investindo em parques gigantescos que abastecem milhões de pessoas. A China também é pioneira em mobilidade elétrica, com uma frota de ônibus e táxis elétricos que já ultrapassa a de qualquer outro país. Além disso, o país investe em economia circular, criando sistemas de reaproveitamento de resíduos industriais e urbanos em escala nacional.
Essas ações não são apenas políticas ambientais: elas se conectam às metas climáticas globais e ao compromisso de reduzir emissões de gases de efeito estufa. A China, que por décadas foi vista como vilã ambiental, hoje se posiciona como protagonista da transição energética. É claro que ainda há desafios, como a dependência do carvão em algumas regiões, mas o esforço para descarbonizar sua matriz energética é inegável.
O que mais me chama atenção é a dimensão intergeracional dessas escolhas. A Constituição brasileira de 1988 consagrou o direito ao meio ambiente equilibrado para as presentes e futuras gerações. A China, ao investir em sustentabilidade, está aplicando esse princípio na prática: suas políticas não visam apenas resolver problemas imediatos, mas garantir que as próximas gerações herdem um país capaz de prosperar sem destruir seus recursos naturais.
Enquanto isso, o Brasil, que possui biodiversidade única e potencial energético limpo, ainda carece de uma estratégia nacional robusta que conecte ciência, indústria e sustentabilidade. A distância entre os dois países não é definitiva, mas é crescente. Precisamos aprender com a China que desenvolvimento sustentável não é discurso, mas prática de Estado.
O Ano do Cavalo de Fogo traz simbolismos de vitalidade e renovação. Talvez seja um convite para que o Brasil também renove sua visão de futuro. Se a China conseguiu transformar universidades em centros de inovação, investir em energias limpas e liderar a mobilidade elétrica, por que nós não poderíamos fazer o mesmo?
A resposta está em nossas escolhas. O futuro será o julgamento mais severo: se falharmos, não será apenas uma cláusula constitucional ignorada, mas um planeta inteiro comprometido. A China mostra que é possível alinhar poder, ciência e sustentabilidade. Cabe a nós decidir se queremos ser espectadores ou protagonistas dessa transformação.
* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!