Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
25°
Partly Cloudy

Acontece Antônio Prado (RS) celebra 30 anos como Patrimônio Cultural Brasileiro

conhecimento do conjunto urbano será comemorado nesta quinta-feira, 23 de janeiro, com apresentação do projeto Tecendo memórias, contos e cantos, vencedor da 32° edição do PRMFA

Foto: divulgação

Um dos mais importantes testemunhos do legado cultural da imigração italiana no país, a cidade de Antônio Prado (RS) celebra em janeiro 30 anos de tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro. Para comemorar o reconhecimento, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul (Iphan-RS) realiza nesta quinta-feira, 23 de janeiro, às 18h, um evento no Espaço Cultura com apresentação do projeto Tecendo memórias, contos e cantos, vencedor da 32° edição do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade (PRMFA).

Com entrada gratuita e aberto ao público, o encontro busca aproximar a comunidade de iniciativas de preservação do Patrimônio Cultural no município. “O conjunto tombado de Antônio Prado é o mais significativo acervo arquitetônico e urbanístico da cultura de imigração italiana no Brasil. Nesse contexto, a comunidade tem sido protagonista na construção de alternativas à sustentabilidade de seu patrimônio material, imaterial e natural; assumindo-os como grande ativo da economia criativa e do turismo cultural”, explica a superintendente do Iphan-RS, Renata Galbinski.

Tombado pelo Iphan em 1990 e inscrito nos livros do Tombo Histórico e do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, o conjunto urbano de Antônio Prado é formado por 48 exemplares de arquitetura popular, a maioria composta por casarões em alvenaria e madeira, ornamentados com lambrequins (elementos decorativos de madeira), localizados ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal.

O conjunto histórico preservado é palco de inúmeras manifestações culturais relacionadas à culinária, à música e ao artesanato. Com a proposta de valorizar essas tradições, o projeto Tecendo memórias, contos e cantos – Registro das histórias de tradição oral dos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, foi vencedor, em 2019, na categoria Patrimônio Imaterial da 32ª edição do PRMFA, premiação que celebra ações no campo da preservação do patrimônio cultural.

“O tombamento foi fundamental para que tomássemos uma consciência de identidade cultural e de pertencimento”, afirma a professora e psicopedagoga Neusa Stimamiglio, criadora do projeto. Neusa lembra que suas primeiras pesquisas sobre preservação das referências culturais de imigrantes italianos também tiveram início em 1990, após o reconhecimento da cidade como Patrimônio Cultural.

De lá para cá, a pesquisadora acompanhou não só a expansão do seu projeto – que, além do Tecendo Memórias, já rendeu os livros Bordando Sonhos I e II –, mas o surgimento de diversas ações de educação patrimonial. “Começou a se dar valor a tudo. A um jogo de bocha, a grupos de teatro, ao filó, ao artesanato. Isso aprofundou os laços históricos existentes na cidade”, completa.

O Tecendo Memórias se propõe a resgatar histórias de tradição oral frutos da cultura de imigração italiana que atravessam gerações. “Apenas com o envolvimento da educação é possível garantir a continuidade desse processo de preservação e dessa relação de pertencimento”, diz Neusa.

Antônio Prado
Entre os imigrantes que desembarcaram no Brasil, de 1870 a 1920, os italianos formaram o maior contingente: 1,4 milhão de indivíduos – o equivalente a 42% do total de estrangeiros. Provenientes do norte da Itália, os imigrantes que colonizaram essa região começaram a chegar às áreas da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, a partir de 1875. Anos mais tarde, em 1886, um grupo formado majoritariamente por italianos fundou a colônia de Antônio Prado, às margens do rio das Antas.

Na arquitetura, os italianos criaram o que poderia se chamar a “cultura da madeira”. Das tábuas rudimentares rachadas a cunha às tábuas serradas manualmente, até a produção industrial das serrarias movidas a roda d`água e depois a motor, a madeira abundante na região foi o material básico para a construção. Esse acervo corresponde ao período do apogeu da exploração do recurso na região e da proliferação de serrarias, o que possibilitou o surgimento de uma arquitetura em madeira que constitui a maior parte do conjunto a ser preservado.

O conjunto arquitetônico e urbanístico de Antônio Prado é formado por imóveis construídos entre 1890 e 1940. Muitas casas possuem dois pavimentos e, em algumas, existem porões e sótãos. O pavimento ao nível da rua serve, com frequência, para a instalação de lojas, oficinas e outros estabelecimentos prestadores de serviços. Os focolares – fogões de chão, feitos com tijolos – não eram incomuns, assim como os poços para o abastecimento de água potável. A Casa da Neni é um dos imóveis tombados na cidade.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Acontece

Seprorgs empossa nova gestão para o biênio 2020-2021
RGE anuncia investimento de R$ 1 milhão na rede elétrica do interior de Nova Petrópolis
Deixe seu comentário
Pode te interessar