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Brasil Ao lado do presidente Michel Temer, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não menciona a Operação Lava-Jato em seu discurso

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Em seu discurso, Raquel defendeu que "o devido processo legal é um direito".(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Num discurso de cerimônia de posse em que não citou expressamente a Operação Lava-Jato e em que fez questão de ressaltar a atuação múltipla do MPF (Ministério Público Federal), a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou na manhã desta segunda-feira (18) que o povo brasileiro “não tolera a corrupção” e que o País “passa por um momento de depuração”.

“O País passa por um momento de depuração. Os órgãos do sistema de administração de justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto”, disse Raquel após ser empossada como procuradora-geral.

Na mesa da cerimônia que deu posse a Raquel no cargo, no começo da manhã desta segunda-feira, estavam o presidente da República, Michel Temer, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O primeiro foi denunciado pelo antecessor de Raquel, Rodrigo Janot, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Os outros são investigados em dois inquéritos cada, dentro da Lava-Jato, também por pedido de Janot.

Temer, Maia e Eunício, alvos da Lava-Jato, ouviram a procuradora-geral fazer uma citação ao papa Francisco, numa passagem sobre corrupção: “O papa Francisco nos ensina que a corrupção não é um ato, mas uma condição, um estado pessoal e social, no qual a pessoa se habitua a viver. O corrupto está tão fechado e satisfeito em alimentar a sua autossuficiência que não se deixa questionar por nada nem por ninguém. Construiu uma autoestima que se baseia em atitudes fraudulentas. Passa a vida buscando os atalhos do oportunismo, ao preço de sua própria dignidade e da dignidade dos outros. A corrupção faz perder o pudor que protege a verdade, a bondade e a beleza”.

Raquel fez uma segunda citação em seu discurso de posse, da poetista goiana Cora Coralina. A procuradora-geral também é goiana. A citação encerrou o discurso: “Neste início de mandato, peço a proteção de Deus para que nos momentos em que eu for colocada à prova, não hesite em proteger as liberdades, em cumprir o meu dever com responsabilidade, em fazer aplicar a Constituição e as leis, para entregar adiante com segurança o legado que recebo agora, e que eu então possa dizer, parafraseando a grande poetisa Cora Coralina, de meu amado Estado de Goiás, que contribuí para que haja mais esperança nos nossos passos do que tristeza em nossos ombros”.

Em seu discurso, Raquel defendeu que “o devido processo legal é um direito” e que a harmonia entre os poderes “é um requisito para a estabilidade da nação”. A procuradora-geral fez deferências ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao Congresso Nacional: “Os órgãos do sistema de administração de justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto”. Ela deixou claro que a atuação do Ministério Público vai além do combate à corrupção. A Operação Lava-Jato foi o carro-chefe da gestão de Janot.

 

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