Segunda-feira, 11 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Ao viajar a São Paulo, cuidado: motoristas de Uber e taxistas oferecem viagens “por fora” em aeroportos e cobram mais caro

Compartilhe esta notícia:

Ao todo, terminais movimentam quase 20 milhões de passageiros por ano. (Foto: Reprodução)

Basta aparecer na saída dos dois maiores aeroportos de São Paulo com uma mala na mão para ser alvo da abordagem insistente. “Uber? Precisa de Uber, patroa?” A pergunta se repete algumas vezes e é ponto de partida para um esquema que oferece transporte irregular a passageiros de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e Congonhas, na Zona Sul paulista – que, em geral, não estão cientes da clandestinidade da viagem.

A maioria diz ser condutor cadastrado em aplicativos como Uber, 99 e Cabify – apesar de algumas placas não constarem no cadastro das empresas.

E existem taxistas que recorrem ao artifício para fisgar quem desembarca de um voo. Por trás do esquema está a intenção desses motoristas de driblar a fila de espera por clientes e escapar das taxas dos aplicativos, que consideram abusivas – podem passar de 20% do valor da corrida.

Como a viagem é feita no mercado paralelo, para os usuários, é como se estivessem entrando no carro de um desconhecido qualquer, sem nenhum controle externo.

Em um dos testes, a reportagem do jornal Folha de S.Paulo chegou a ser deixada no meio do trajeto por um desses motoristas – que havia se esquecido do rodízio municipal de veículos.

Ao fazer a abordagem, o motorista pergunta o destino e saca o celular do bolso para entrar no aplicativo da Uber e simular o valor cobrado. Ainda aproveita para pedir até 30% acima da tarifa oficial.

À reportagem, por exemplo, foram cobrados R$ 80 para ir do terminal 2 de Cumbica até o bairro dos Campos Elíseos, na região central de São Paulo, em uma tarde de segunda-feira. O mesmo trajeto de 28 quilômetros fica por volta de R$ 60 na opção mais barata do aplicativo.

No caso de Cumbica, a abordagem é constante a poucos metros do totem instalado pela Uber que serve de ponto de encontro entre motoristas e passageiros. Há outro totem, da 99, também próximo dali.

Para sair do saguão do aeroporto ao local indicado na tela do celular é preciso passar por um “corredor polonês” de motoristas oferecendo corridas por fora do aplicativo.

Pela lei federal, esse tipo de transporte remunerado de passageiros é permitido apenas mediante intermediação das empresas. Fora disso, a prática é considerada infração gravíssima.

Em Cumbica, os motoristas clandestinos se reúnem e organizam um rodízio para determinar de quem é a vez de fazer a abordagem. Para quem percebe se tratar de uma corrida extraoficial, a agilidade no embarque é um argumento usado para convencer os passageiros.

No aeroporto de Guarulhos, o esquema de transporte irregular se tornou uma disputa de gato e rato com os fiscais. A prefeitura local afirma que 33 veículos clandestinos foram apreendidos desde 2017 no aeroporto e que a fiscalização foi intensificada.

A reportagem da Folha presenciou a articulação dos motoristas para fugir da fiscalização de dois guardas municipais de Guarulhos que faziam ronda a pé no terminal 2. Bastava os guardas se afastaram para eles se juntarem em frente à mureta de concreto e, com a mesma rapidez, sumiam quando a ronda municipal se aproximava.

O valor, 30% mais caro do que a tarifa calculada pelo aplicativo, foi cobrado sob a justificativa de que ele poderia trafegar pelos corredores de ônibus, apesar de não ter recorrido a essa possibilidade em nenhuma parte do trajeto.

Em Congonhas, segundo a secretaria dos Transportes, sete veículos clandestinos foram apreendidos neste ano. A Uber afirma que qualquer viagem feita fora do aplicativo é irregular. A 99 afirmou que a prática descrita na reportagem é proibida pela legislação. A Cabify ressalta que as chamadas das corridas devem ser feitas com o aplicativo.

Saiba quais os riscos

1- Motoristas de aplicativo podem fazer corridas fora da plataforma?
Não. A prática viola os termos de adesão aos aplicativos e é considerada transporte ilegal de passageiros, infração gravíssima segundo o Código Brasileiro de Trânsito.

2- Taxistas podem oferecer corridas fora do taxímetro? Não. Lei federal determina que o uso do taxímetro é obrigatório em cidades com mais de 50 mil habitantes.

3- Quais são os riscos aos passageiros? Não há garantia de que o motorista teve seus antecedentes criminais checados, o que acontece com todos os que são aceitos nas plataformas. Ao aceitar corridas feitas fora dos aplicativos, o passageiro também deixa de ter direito à cobertura do seguro que as plataformas são obrigadas por lei a disponibilizar em caso de acidentes.

4- Como evitar embarcar em uma corrida irregular? Acione o aplicativo e cheque a placa e o nome do motorista que aparecem na tela do celular antes de entrar no carro. Não aceite a ajuda de estranhos e, se tiver dúvidas, peça ajuda a funcionários identificados com o logo do aplicativo que ficam nesses pontos de encontro.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Tabagismo custa US$ 1 trilhão por ano à economia global e vai matar 8 milhões de pessoas anualmente até 2030
Quatro pessoas que socorriam um motorista que bateu em uma árvore morrem atropeladas por um caminhão em uma rodovia no Norte do Estado
Pode te interessar