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Brasil Apesar da alta de apenas 0,1% do PIB no terceiro trimestre, os analistas avaliam que o fim da recessão econômica no Brasil está consolidado

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, valorizou a alta dos investimentos, um sinal de “otimismo em relação ao futuro”. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Com alta de apenas 0,1% sobre os três meses anteriores, o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre confirmou, segundo economistas, o quadro de recuperação lenta da economia.

O resultado reforça a percepção de que a retomada não será fácil, nem automática, como avaliou o professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda. A boa notícia, por outro lado, é que a recuperação segue em curso e o fim da recessão parece estar “consolidado”, segundo os analistas.

E, como as revisões do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelaram que o PIB dos dois primeiros trimestres foi melhor do que o divulgado anteriormente, instituições como os bancos Santander e Bradesco, bem como a gestora de ativos ARX, passaram a trabalhar com viés de alta em suas previsões de crescimento da economia em 2017.

De um avanço estimado, por enquanto, entre 0,8% e 0,9%, a economia poderá terminar o ano com crescimento superior a 1%.

No banco Pine, a estimativa já foi revista de 0,8% para 1%. A possibilidade de a reforma da Previdência não ser aprovada e as incertezas decorrentes das eleições de 2018 colocam-se, no entanto, como as grandes ameaças ao movimento de recuperação.

A exemplo do segundo trimestre, o consumo das famílias foi a principal força propulsora do crescimento do resultado anunciado hoje pelo IBGE. Os saques de contas inativas do FGTS, o recuo da inflação e a queda do desemprego permitiram um avanço de 1,2% nessa rubrica.

Aos gastos das famílias, somou-se a volta dos investimentos, que subiram 1,6% nos três meses encerrados em setembro, depois de 15 trimestres praticamente ininterruptos em baixa.

Em comentário publicado em sua conta no Twitter poucas horas após a divulgação das contas nacionais, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, valorizou a alta dos investimentos, um sinal de “otimismo em relação ao futuro”, e o desempenho da indústria, cujo crescimento foi de 0,8%.

“O crescimento do PIB entre julho e setembro, de 0,1% contra o trimestre anterior, pode parecer baixo, mas é forte se analisado por setores. Sem a agricultura, que caiu por razões sazonais, o crescimento foi de 1,1%”, observou o titular da Fazenda.

Para o economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Paulo Picchetti, embora o PIB do terceiro trimestre reforce o quadro de reação da economia, o padrão da retomada está muito mais demorado se comparado a outros períodos de recuperação.

Numa leitura parecida, Lacerda, da PUC, acredita que o terceiro trimestre – que coloca o Brasil à frente apenas da Dinamarca e Suíça num levantamento da Austing Rating sobre o desempenho de 47 economias no período -, trouxe uma espécie de banho de água fria no discurso de retomada repetido exaustivamente pela equipe econômica do governo.

“O hiato está muito grande porque tivemos dois anos de quedas muito pronunciadas e este ano uma estabilização em uma base muito baixa”, explicou.

Otimismo cresce

Em teleconferência feita após a divulgação do PIB, o economista do Santander Rodolfo Margato adiantou que o banco atribuiu um viés de alta à sua estimativa de crescimento de 0,8% da economia neste ano.

A projeção poderá subir para a faixa de 1% a 1,1%, mas os economistas do Santander vão esmiuçar os novos dados para decidir sobre a revisão ou não.

Em relatório, o Bradesco comentou que as contas nacionais reforçam a percepção de recuperação consistente, mas gradual, e informou que a projeção de crescimento de 0,9% do PIB no ano ganhou viés de alta.

A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz, afirma que a retomada está “bem consolidada”. Sua expectativa para 2017 segue em crescimento de 0,8% do PIB, mas a economista disse não descartar um número maior, na faixa de 0,9%.

 

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