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Brasil Aplicativos de celular auxiliam os dependentes de álcool e outras drogas a evitar recaídas e encontrar apoio. Alguns deles oferecem até vídeos informativos

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Alíquota das contribuições pode ser de 3,65% ou de 9,25% a depender da atividade da empresa. (Foto: Reprodução)

Toda manhã, antes de ir trabalhar, o comerciário Roberto pega o celular, abre o aplicativo do grupo Alcoólicos Anônimos e lê um texto de reflexão. Ao longo do dia, se sente necessidade de ir a uma reunião do grupo, no Rio de Janeiro, aciona de novo o app e checa localização e horários da sala mais próxima. Ali também estão os passos de tratamento e os conceitos do grupo. O aplicativo “AA RJ”, lançado na semana passada, virou apoio importante na recuperação de Roberto. Não é o único: vários apps têm apostado na tecnologia para engajar e reforçar o tratamento de dependentes de álcool e outras drogas no Brasil.

“O aplicativo mostra o mapa até o AA mais perto. A reflexão diária também é muito útil, já que não tenho o livro do grupo. E é grátis”, diz Roberto, que prefere não dizer o sobrenome.

A ideia do app veio de um membro do grupo. Especialista em projetos para a web, Raul viu no sucesso dos smartphones a oportunidade de acesso mais fácil a informações do grupo do que quando entrou, há 22 anos.

“As ligações para escritórios do AA ficavam limitadas a horários e dias da semana. E quem busca essas informações tem pressa. O aplicativo traz ainda um teste com 12 questões comportamentais, que ajudam as pessoas a saber se deveriam buscar o AA. É um sinalizador, uma orientação”, conta Raul, que lançou o app em português, espanhol e inglês.

Um dos pioneiros na área foi o Socorre.me, criado em 2013 pelo analista de sistemas Daniel Cardoso. Dependente de cocaína por dez anos, ele criou o app depois da quarta overdose. Hoje o Socorre.me está em 30 países, em oito idiomas:

“As pessoas têm a imagem da Cracolândia, mas há muita gente com trabalho e família que sofre sem falar porque a dependência é um tabu. A tecnologia não substitui o médico, mas pode ser uma porta para a conscientização.”

O cozinheiro industrial Janderson Brito, de 31 anos, conheceu o aplicativo há dois anos, em Manaus:

“Foi um choque de realidade. A pessoa pode colocar o consumo médio e há quanto tempo usa, e o aplicativo calcula o o que teria dado para comprar com a quantia gasta. Vi o que gastei me destruindo. Mas também fica a mensagem de que algo ainda pode ser feito.”

O II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas estima que 11,7 milhões de pessoas sejam dependentes de álcool no Brasil. Hoje fora das estatísticas, o advogado Paulo Leme Filho lançou em março o app “Eu me importo”, que agrega dados de vários grupos de apoio em São Paulo, como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Amor Exigente. Também em São Paulo, o gerente de produtos André Almeida espera investidores para tirar da versão beta o “My journey”.

“Quando fiquei internado por dependência química, fazia muitas atividades para limpar o corpo, colocar o sono em dia e controlar a alimentação, porque a ansiedade era meu gatilho. Passei a pesquisar tecnologias interativas que ajudassem a manter a recuperação. Veio o app”, lembra André.

O “My journey” reúne médicos, pacientes e familiares. Após reconhecer o estágio de dependência, o paciente recebe uma lista de atividades. Há, ainda, um “botão de pânico” que pode ser acionado em uma recaída — ele manda a localização do paciente para uma rede.

No Ceará, a Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas reformulou em maio o app “SPD Aqui tem ajuda”, de 2015. A nova versão, por enquanto só para Android, informa projetos de prevenção, legislação, centros de ajuda e linhas para falar com terapeutas.

Outra novidade é o “BeOK”, que as psicólogas Flávia Jungerman e Natália Ragghianti esperam começar a testar no próximo mês.

“O programa dura 12 semanas. O usuário determina a meta, preenche um diário de consumo e humor. E toda semana deve assistir a um vídeo para o tratamento”, diz Flávia, da USP.

Como um game, o app estimula a passar pelas fases e acumular “pontos”:

“Quanto mais barreiras eliminarmos, mais fácil será auxiliar, e isso pode significar mesclar formas diferentes de tratar.”

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