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Brasil Após críticas, o governo federal busca empresas para monitorar o desmatamento

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Salles foi ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro e já afirmou em entrevista que o candidato de Bolsonaro seria ele.(Foto: Marcos Corrêa/PR)

O governo federal lançou na quarta-feira um edital para iniciar o processo de escolha de uma empresa de monitoramento diário do desmatamento no País via satélite. De acordo com o edital, publicado no Diário Oficial da União, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) quer receber propostas de empresas que forneçam esse serviço para balizar uma futura contratação. As informações são do jornal O Globo.

O edital foi lançado semanas após o governo ter exonerado o ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e ter feito críticas à qualidade das imagens produzidas pelos satélites a serviço do órgão.

A abertura das propostas será feita no dia 2 de setembro. De acordo com o edital, o governo utilizará as propostas como parte de “estudos preliminares” para contratar uma empresa especializada nesse serviço.

Em julho deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou a atuação do Inpe depois que dados divulgados pelo órgão indicaram aumento nas taxas de desmatamento.

Bolsonaro chegou a dizer que o instituto, até então comandado pelo cientista Ricardo Galvão , estaria a serviço de organizações não-governamentais.

Galvão reagiu e chegou a chamar a postura de Bolsonaro de “pusilânime”. O desgaste resultou na exoneração do diretor, no início de agosto.

Críticas recorrentes do ministro

Durante todo o processo que antecedeu a exoneração de Galvão, o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez críticas à qualidade do monitoramento do desmatamento feito pelo Inpe.

Segundo o ministro, os sistemas operados pelo órgão seriam lentos e insuficientes para atender às demandas de órgãos como o Ibama.

“Daqui para frente é construir um sistema que seja mais rápido na detecção que permita orientar as ações de comando de controle de fiscalização”, disse o ministro no final de julho.

As críticas de Salles ao trabalho do Inpe, no entanto, foram rebatidas por cientistas que atuam em monitoramento da superfície terrestre em vários países.

Parte da comunidade acadêmica afirma que o sistema brasileiro está entre os melhores e mais avançados do mundo.

A intenção de Salles em contratar um novo sistema de monitoramento acontece após especulações sobre os encontros mantidos por Salles e representantes de uma empresa especialista no serviço.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o ministro já teria tido pelo menos dois encontros com representantes da empresa Santiago e Cintra, que atua no segmento de monitoramento via satélite.

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