Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2015
Partidos de oposição pediram no sábado o afastamento da presidenta Dilma Rousseff devido ao vazamento do conteúdo da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, que disse ter financiado a campanha da petista em 2014 para evitar perder negócios com a Petrobras. O Planalto e o PT negam ter recebido dinheiro de forma irregular.
“Se ela [Dilma] não pedir o afastamento e as apurações, estará, com seu silêncio e inércia, dando veracidade ao conteúdo da delação”, disse Rubens Bueno (PPS-PR). Já o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que as afirmações de Pessoa, dono da UTC, devem levar à abertura de um processo de impeachment contra Dilma. “Esse depoimento de Pessoa é a prova que as campanhas de Dilma foram irrigadas com dinheiro roubado da Petrobras. Isso é motivo mais que suficiente para Dilma perder o mandato e para convocarmos novas eleições”, afirmou.
Se Dilma sofrer um impeachment, quem assume é o vice, Michel Temer (PMDB-SP). Novas eleições só ocorrem se ambos, Dilma e Temer, forem impedidos. Se isso acontecer nos dois primeiros anos de mandato, haverá um novo pleito direto. Nos dois últimos, uma eleição indireta no Congresso. Em ambos os casos, o País seria comandado interinamente pelo presidente da Câmara.
Ministros
Na sexta-feira, Dilma se reuniu na residência oficial do Palácio da Alvorada com os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. O encontro terminou por volta das 20h30min e durou duas horas e meia. A reunião foi convocada pela presidenta depois que os dois ministros divulgaram notas nas quais negam ter recebido doações ilegais de Pessoa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também participou do encontro.
Em comunicados divulgados, Silva e Mercadante negaram irregularidades nas doações. Por meio de sua assessoria, Mercadante afirmou desconhecer o conteúdo da delação de Pessoa. O ministro confirmou que em 2010 sua campanha recebeu 250 mil reais da UTC e outros 250 mil reais da Constran Construções, do mesmo grupo, e que os valores constam da prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.
A assessoria de Silva confirmou que o ministro se reuniu por três vezes com Pessoa para discutir doações de campanha, mas “jamais” tratou de assuntos relacionados a empresas ou órgãos públicos. De acordo com a assessoria, o empresário doou 7,5 milhões de reais, em três parcelas, e as contas da campanha eleitoral da presidenta em 2014 foram auditadas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. O PT também divulgou nota, afirmando que todas as doações recebidas pelo partido foram feitas de acordo com a lei.
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