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Notícias Após delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, governistas tentarão convocar para depor ex-comandantes das Forças Armadas na CPMI

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Investigações ainda devem avançar sobre políticos e militares, que ficaram de fora de prisões e condenações. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Parlamentares governistas definiram uma lista com ao menos seis personagens que pedirão para serem convocados a depor na CPMI do 8 de Janeiro, após a revelação de que Jair Bolsonaro teria discutido com a cúpula das Forças Armadas um golpe para evitar a posse de Lula.

Conforme revelado pelos colunistas Bela Megale e Aguirre Talento, a discussão foi relatada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, na delação premiada que o militar fechou com a Polícia Federal.

Um dos personagens que os governistas querem convocar na CPMI é o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro. Segundo a delação de Cid, Santos teria concordado em ceder suas tropas, caso Bolsonaro tentasse anular as eleições de 2022.

Outro personagem da lista dos governistas é Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência. Segundo reportagem, Martins teria apresentado a Bolsonaro a minuta do decreto de golpe, que previa o cancelamento das eleições e prisão de opositores.

A lista dos seis nomes tem ainda os nomes do policial militar Antônio Aginaldo, marido da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP); de Tércio Arnaud Tomaz, um dos cabeças do chamado “gabinete do ódio”; e dos empresários Meyer Nigri e Enric Juvenal.

Confira a lista de convocações: Antônio Aginaldo, marido de Carla Zambelli; Tercio Arnaud, ex-assessor de Bolsonaro; Meyer Nigri, empresário; Enric Juvenal, pecuarista; Almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha; Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro.

Segundo parlamentares da base governista, a ideia é tentar votar os seis requerimentos de convocação nesta semana. A decisão de pautar os pedidos, entretanto, cabe ao presidente da CPMI, o deputado federal Arthur Maia (União Brasil-BA).

Trechos da delação

Mais que os crimes cometidos pelo ex-patrão, o tenente coronel Mauro Cid tem exposto na delação à Polícia Federal (PF) o comportamento imaturo e birrento de Jair Bolsonaro (PL) que, segundo o militar, buscava desesperadamente quaisquer indícios de fraudes para contestar a derrota para Lula nas urnas, em 30 de outubro.

Em novo trecho da delação, divulgado pela revista Veja, Cid diz que Bolsonaro tinha certeza que iria ganhar as eleições e, após a derrota, repetia chiliques como um mantra.

“Fui roubado, fui roubado. O PT vai destruir o Brasil”, afirmava Bolsonaro, segundo o militar.

Cid ainda teria relatado à PF que a frustração com a derrota foi tamanha que teria causado a erisipela, uma infecção na perna decorrente da queda de imunidade.

Bolsonaro também indagava ao ajudante de ordens o que iria fazer com “o povo que está na rua”, em relação aos apoiadores que se aglutinavam nas portas dos quartéis após ele ter incitado há anos que poderia convocar um golpe de estado caso fosse derrotado.

“O presidente queria encontrar uma fraude. Isso ele realmente queria. Em cima da fraude daria para fazer alguma coisa”, afirmou o tenente-coronel, sem definir o que seria “alguma coisa”.

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