Quinta-feira, 02 de Abril de 2020

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Capa – Caderno 1 Após oito meses no cargo, o pianista gaúcho Miguel Proença foi exonerado da presidência da Funarte

Músico foi afastado em meio a polêmicas do governo federal na área da cultura. (Foto: Divulgação)

O pianista gaúcho Miguel Proença, 80 anos, foi exonerado da presidência da Funarte (Fundação Nacional de Artes). Quem assinou o decreto,  nessa segunda-feira, foi seu conterrâneo Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil do governo federal, ao qual o órgão é vinculado. Proença, que antes dirigia a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, estava no cargo desde fevereiro, quando substituiu o ator carioca Stepan Nercessian.

Por enquanto, a Fundação (vinculada ao Ministério da Cidadania e responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de fomento de manifestações como artes visuais, música, dança, teatro e circo) deve ser comandada interinamente pelo diretor-executivo Leônidas de Oliveira. Questionado pela imprensa sobre o motivo do afastamento do pianista, o órgão limitou-se a declarar que não comentará o caso.

Polêmicas

A saída de Proença ocorre em um momento delicado para a Funarte. Em setembro, Roberto Alvim, diretor do Centro de Artes Cênicas da instituição, chamou a atriz Fernanda Montenegro de “sórdida” e “mentirosa”, provocando uma forte reação por parte a classe artística. O pianista gaúcho também não deixou por menos, dizendo-se “chocado” com o incidente e prometendo um concerto musical em homenagem à artista – postura que teria contribuído para a sua queda.

“Ter defendido a Fernanda Montenegro foi determinante para a minha exoneração, que me surpreendeu”, comentou Proença em entrevista à imprensa. “Fui um dos primeiros a me manifestar. Não pensei em política, pensei em mandar um abraço a uma amiga. O que fazer com pessoas que não entendem esse relacionamento com outros artistas e querem impor uma maneira de salvar o mundo através só da religião? Minha religião é agradar o público”.

Além disso, no mês passado, Alvim indicou 19 servidores da Funarte para exoneração, mas a decisão acabou anulada pelo titular da pasta da Cidadania, Osmar Terra (outro gaúcho), a pedido do próprio Alvim, que é aliado de Jair Bolsonaro. O presidente da República, aliás, o recebeu em Brasília na última sexta-feira e deve nomeá-lo para comandar a Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania.

(Marcello Campos)

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