Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de setembro de 2015
Para tentar reverter o problema criado com os comandantes militares, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, assinará uma portaria devolvendo aos titulares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica o poder de editar atos relativos a pessoal militar, como transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos, reforma de oficiais da ativa e transferências para o exterior.
Essa já era uma delegação dos comandantes, mas, na semana passada, a secretária-geral da pasta, Eva Chiavon, pediu à Casa Civil que encaminhasse um decreto que tirava poder dos comandantes, para que a presidenta Dilma Rousseff o assinasse, antes do 7 de Setembro.
A publicação do texto no Diário Oficial da União, na sexta-feira (04), causou enorme insatisfação entre os militares e deixou a presidenta bastante irritada. Nesta terça-feira (08), Dilma pediu a Wagner que corrigisse o erro e a portaria de subdelegação de poderes será assinada por ele.
O “conserto” atendeu ao anseio dos militares, mas não deixou de lado a desconfiança que tomou conta de todos, principalmente pela forma “inábil” como foi conduzido. Publicar um decreto desse teor, tirando poderes da cúpula militar, sem comunicar aos comandantes foi considerado “inaceitável”.
Nem mesmo o titular da Marinha, almirante Eduardo Bacelar, que assinava o texto junto com Dilma, por estar exercendo interinamente o cargo de ministro, já que Wagner estava na China, foi informado que endossaria o texto, como apareceu no Diário Oficial. Em momento de grave crise política e econômica, a presidenta e seus auxiliares diretos consideraram “absolutamente desnecessário” criar uma aresta desse tipo com a área militar.
Dilma foi surpreendida pela reação negativa do decreto, que foi levado a ela como uma coisa burocrática, que já havia sido combinada com os militares, conforme Eva. Os ministros da Defesa e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, alegaram desconhecer o texto. Ambos foram procurados pelos comandantes assim que o decreto foi publicado, perguntando o que havia acontecido e questionando por que não foram ao menos informados. Ouviram que iam apurar o ocorrido. (AE)
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