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| Após prejuízo, Petrobras tem lucro líquido de 5,33 bilhões de reais no primeiro trimestre

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Executivos da estatal apresentaram os resultados em coletiva de imprensa no Rio. (Fernando Quevedo/AG)

A Petrobras divulgou nessa sexta-feira que o primeiro trimestre do ano terminou com lucro líquido de 5,33 bilhões de reais. O resultado representa uma queda de 1% em relação ao lucro de 5,39 bilhões de reais registrado no mesmo período de 2014. Este é o pior resultado para um primeiro trimestre desde 2007, quando a empresa registrou lucro de 4,1 bilhões de reais. No quarto trimestre do ano passado, a companhia teve prejuízo de 26,6 bilhões de reais. O Ebitda (lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ficou em 21,51 bilhões de reais de janeiro a março de 2015, crescimento de 50% sobre um ano antes.

A empresa destacou que houve, no trimestre, o efeito integral dos reajustes de 5% no preço do diesel e de 3% no preço da gasolina ocorridos em 7 de novembro de 2014. Também influenciaram no resultado os menores custos de vendas por conta da redução dos gastos com importação de petróleo.

Sobre possíveis novas altas no preço dos combustíveis, o diretor financeiro da estatal, Ivan de Souza Monteiro, disse, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, que a companhia operará preços competitivos e de mercado o tempo inteiro. Os investimentos totalizaram 17,8 bilhões de reais, 13% inferior aos do 1 trimestre de 2014.

O foco dos investimentos foi o segmento de Exploração e Produção no Brasil, que recebeu 79% dos recursos, com destaque para os projetos de aumento da capacidade produtiva.

O lucro operacional foi de 13,3 bilhões de reais, 76% superior ao do primeiro trimestre do ano passado, principalmente devido ao crescimento da produção de petróleo e gás. Além disso, o resultado do 1 trimestre de 2014 sofreu impacto do provisionamento de gastos com o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (2,4 bilhões de reais), o que não se repetiu em 2015.

No trimestre, houve redução da receita com exportações, influenciada pela queda no preço do petróleo, além da queda de 10% nas vendas no mercado interno devido à sazonalidade do consumo e ao menor nível de atividade econômica, segundo a Petrobras. A baixa da demanda foi de 10% para o diesel e de 11% para a gasolina. “A gente observa que a receita da companhia caiu 9%. Essa queda na receita está relacionada com menor volume de venda de derivados, principalmente e também com a queda do preço do petróleo, que impactou o preço médio dos produtos que são exportados. No entanto, essa queda do preço do petróleo impactou muito mais o custo dos produtos vendidos, que caíram 27%. Essa conjunção de fatores levou a companhia a subir substancialmente seu lucro bruto”, disse Mario Jorge da Silva, o gerente executivo de desempenho empresarial.

Segundo a Petrobras, a companhia teve despesas financeiras líquidas, no trimestre, de 5,6 bilhões de reais. A estatal terminou o trimestre com 68,2 bilhões de reais em caixa. “As despesas operacionais caíram 22% nesse período, principalmente porque em 2014 tivemos lançado o programa de demissão voluntária. O resultado financeiro negativo é reflexo direto da elevação da taxa de câmbio no período. Como a maior parte da dívida da companhia é nominada em moeda estrangeira, a elevação da taxa impacta o resultado”, ressaltou Silva.

A estatal projeta, para 2015, que as atividades operacionais permitirão a agregação de 25 bilhões de dólares ao fluxo de caixa. “Temos que fazer frente a pagamento de juros, amortização e outro que somam 21 bilhões de dólares e vencimentos projetados de 29 bilhões de dólares”, afirmou o gerente.

Operação

No lado operacional, a Petrobras destacou que atingiu recorde na produção média mensal de petróleo de 672 mil barris por dia no pré-sal. Em 11 de abril, foi alcançada a marca de 800 mil barris por dia de produção de petróleo no pré-sal, configurando novo recorde. A Petrobras conseguiu reduzir o tempo de perfuração e completação de poços do pré-sal.

A empresa também citou a entrada em operação da plataforma P-61 no campo de Papa-Terra (Bacia de Campos), além do sistema de produção antecipada do campo de Búzios (Bacia de Santos), e o início da produção do campo Hadrian South em águas ultraprofundas no Golfo do México.
A diretora de exploração e produção da Petrobras, Solange da Silva Guedes, afirmou que a empresa está em processo de fechamento da contratação de plataformas previstas para 2016.

Pagamento de dividendos

Por conta do resultado negativo de 2014, a Petrobras não pagou aos acionistas os dividendos relativos a esse ano. A decisão de não pagar, no entanto, não teria sido contestada pelos acionistas.

Sobre o pagamento de dividendos este ano, o diretor financeiro Ivan de Souza afirmou que dependerá do resultado, e se apurando resultado positivo não tem por que não pagar. (AG)

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