Segunda-feira, 13 de Julho de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
12°
Fog

Saúde Após reduzir o boletim diário, o governo retira do site do Ministério da Saúde os dados acumulados sobre o coronavírus

Compartilhe esta notícia:

Portal oficial do Ministério da Saúde em versão com menos dados, divulgada neste sábado. (Foto: Ministério da Saúde/Reprodução)

O Ministério da Saúde retirou, do site oficial sobre a pandemia do novo coronavírus, os dados acumulados sobre o número de infectados e mortos pela Covid-19. Desde a tarde deste sábado (6), o portal exibe apenas os resultados das últimas 24 horas.

A mudança segue o mesmo protocolo que foi adotado para o boletim diário de divulgação. O documento, que trazia a atualização das últimas 24 horas e os números consolidados, foi divulgado na sexta (5) com menos informações.

Com a mudança, o governo Jair Bolsonaro tenta esconder que o Brasil já atingiu a casa de 35.456 mortes e 659.114 casos confirmados da Covid-19. Os números foram tabelados neste sábado pelo G1, em um levantamento exclusivo junto às secretarias estaduais de Saúde.

Às 18h deste sábado, o portal oficial do Ministério da Saúde apresentava apenas os números reunidos até as 22h de sexta. Apenas nas 24 horas anteriores a esse boletim, foram registrados 30.830 novos contaminados e 1.005 mortos.

Em uma rede social, Jair Bolsonaro disse que “o Ministério da Saúde adequou a divulgação dos dados sobre casos e mortes relacionados ao covid-19.” Mas, nem o presidente, nem o Ministério da Saúde informaram qual era o problema, do ponto de vista científico, da divulgação dos números totais.

Informações ocultas

O portal de divulgação dos dados da Covid-19 chegou a sair do ar na noite de sexta, e só voltou da “manutenção” por volta das 16h deste sábado. O G1 identificou três mudanças principais no novo formato: os números acumulados de contaminados e mortos deixaram de ser divulgados; os coeficientes de incidência de contaminação e óbitos (ou seja, a taxa de infecção e de morte por 100 mil habitantes em cada estado) e a taxa de letalidade da Covid-19 (ou seja, o percentual de contaminados que morrem por conta do vírus) também sumiram do site; a ferramenta de download dos dados, fundamental para análise estatística e pesquisa científica, não existe mais.

Compare, abaixo, as versões

Site atual: apenas com dados das últimas 24 horas

Versão anterior: com dados acumulados, distribuição regional, taxa de letalidade e botão para download dos dados em formato acessível, entre outras funcionalidades.

Apesar da mudança, até as 18h, o site ainda explicava ao usuário os conceitos de “casos acumulados”, “óbitos acumulados” e dos coeficientes proporcionais – números que o governo passou a não divulgar.

O Ministério da Saúde define, por exemplo, que o coeficiente de mortalidade por Covid-19 poderia “contribuir para comparações nacionais e internacionais”, além de “subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas públicas de promoção, proteção e recuperação da saúde, concernentes à COVID-19.”

Já a taxa de letalidade, segundo o próprio site, “dá a idéia de gravidade da doença, pois indica o percentual de pessoas que morreram dentre os casos confirmados da doença”.

Apesar de apresentar as definições e indicar a importância de cada dado, o Ministério da Saúde não divulga mais os valores desses indicadores.

Boletim menor e mais demorado

Além de reduzir a qualidade da informação, o governo Jair Bolsonaro passou a divulgar os dados com atraso maior nesta sexta.

Até então, os números eram consolidados às 17h, a partir dos dados estaduais e do Distrito Federal, e divulgados até as 18h. O boletim era, inclusive, explicado em coletivas no Palácio do Planalto no fim da tarde.

Na última semana, os dados foram divulgados entre 21h30 e 22h. Questionado sobre a mudança, o presidente Jair Bolsonaro creditou a mudança à necessidade de obter dados mais consolidados. Ao mesmo tempo, afirmou: “Acabou matéria do Jornal Nacional”.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Ninguém acerta as seis dezenas da Mega-Sena e prêmio vai a R$ 7 milhões
Número de mortos do coronavírus passa de 400 mil no mundo
Deixe seu comentário
Pode te interessar