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Política Após reunião com Bolsonaro, Onyx Lorenzoni diz que continua no governo e que ninguém tem fome de poder

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Ministro disse que representará Bolsonaro na abertura do ano legislativo no Congresso.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro disse que representará Bolsonaro na abertura do ano legislativo no Congresso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (1º), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que não se sente esvaziado no cargo. Ele disse que permanece na pasta e representará Bolsonaro na sessão solene de abertura do ano legislativo no Congresso nesta segunda-feira (3).

“As coisas vão continuar a seguir seu rumo normal. Falamos muito e revisamos a mensagem presidencial (ao Congresso). Eu vou levar na segunda-feira porque ele (Bolsonaro) vai estar em São Paulo”, afirmou.

​​Onyx disse ainda que não discutiu com Bolsonaro sua possível saída da Casa Civil. A reunião entre eles durou cerca de uma hora e 20 minutos.

“Nós nem conversamos sobre isso, nós conversamos sobre as tarefas do ministro da Casa Civil a partir já agora do meu retorno das férias. Hoje já conversamos sobre a rotina normal, então, fica tudo igual, não mudou nada”, afirmou.

Bolsonaro tem buscado uma saída para a crise política protagonizada pelo ministro da Casa Civil. O auxiliar, por sua vez, trabalha para se manter no cargo.

A Casa Civil foi esvaziada quando o presidente decidiu retirar da pasta o PPI (Programa de Parceira de Investimentos) após demissão, recontratação e nova demissão de Vicente Santini, então secretário-executivo de Onyx.

Santini foi destituído do cargo por Bolsonaro após viajar com duas assessoras em um voo exclusivo da FAB (Força Aérea Brasil) de Brasília para Davos (Suíça), e de lá para Déli (Índia), episódio que foi classificado de imoral pelo presidente.

O secretário chegou a ser realocado na pasta, mas, após repercussão negativa, Bolsonaro decidiu demiti-lo novamente.

Página virada

Segundo Onyx, o assunto é “página virada”.

“Nós (ele e Bolsonaro) conversamos sobre isso, mas isso é página virada, ponto final. Conversamos hoje e é isso, está resolvido. O presidente tomou suas decisões, Jair Bolsonaro é meu líder, a decisão que ele toma é a decisão que tem que ser acatada”, afirmou o ministro.

O ministro buscou minimizar a perda do PPI para a Economia.

“Nós, já lá atrás, quando fizemos o programa de governo, de julho de 2018, lá está o PPI na Economia, é uma demanda antiga da Economia. Acabou ficando um período na Secretaria Geral, depois veio para a Casa Civil, e o presidente tomou a decisão de mandar para a Economia, assim como isso já aconteceu com a Cultura, que estava na Cidadania e foi para o Ministério do Turismo. Faz parte de decisões de governo e a gente acata”, disse.

Indagado sobre o esvaziamento de sua pasta, Onyx respondeu que não busca poder. “Eu não estou aqui, o presidente não está aqui, em busca de poder. Nós estamos aqui para servir o Brasil. Nós já temos uma atribuição e uma responsabilidade gigantesca. Ninguém aqui tem fome de poder, nós temos fome de servir.”

Sobre a mensagem que será lida no Congresso, Onyx disse que o texto vai reafirmar o norte do governo: “a redução do tamanho do Estado, a agilização e a ampliação da capacidade de comunicação com o cidadão”.

“Quando a gente entrou [no governo], tinha 20 ou 30 serviços digitalizados. Hoje nós já contabilizamos mais de 500. O cidadão pega seu celular e fala com o governo. Queremos chegar até o final do governo com mais de 2.000 serviços digitalizados”, disse.

Questionado especificamente sobre a reforma administrativa, Onyx afirmou que é claro que ela também constará da mensagem aos parlamentares.

“Na mensagem está o quê? Que o governo continuará fazendo as reformas que o Brasil precisa”, respondeu.

“Este é um governo que vem fazendo uma série de reformas, começamos com a Previdenciária. Nós estamos trabalhando agora com a reforma do pacto federativo. Durante décadas vocês (jornalistas) escreveram que os prefeitos e governadores vinham a Brasília apenas de pires na mão. Nós mandamos ainda no ano passado uma reforma do Estado que vai permitir a reformulação do pacto federativo.”

Por fim, ao ser questionado a respeito da articulação do governo com o Congresso, Onyx disse que ela vai bem e que as reformas devem passar neste ano. “A questão da articulação política está na Secretaria Geral, sob o comando do general (Luiz Eduardo) Ramos, que tem feito um trabalho excelente. Eu nunca conheci um governo que não tivesse dificuldade no Parlamento. São dois Poderes que têm por natureza se contrapor em muitas coisas”, afirmou.
Onyx montou uma articulação para tentar arregimentar apoio pela sua permanência na Casa Civil.

Ele conversou com deputados bolsonaristas e com militares governistas, como Heleno. Deputado federal licenciado pelo DEM-RS, Onyx é um dos ministros da chamada ala ideológica do governo.

Segundo auxiliares presidenciais, Bolsonaro avalia três hipóteses para Onyx caso sua permanência na Casa Civil fique inviável. Entre as possibilidades estão os Ministérios do Desenvolvimento Regional, o da Cidadania e o da Educação.

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