Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2021
Após receber a primeira dose da vacina contra o coronavírus, Regina Duarte voltou a defender o uso da ivermectina e de outros medicamentos recomendados por Jair Bolsonaro –todos rejeitados pela OMS (Organização Mundial da Saúde)– para se curar da doença provocada pelo coronavírus.
Em seu Instagram, a ex-Secretária Especial da Cultura compartilhou um vídeo do médico norte-americano Pierre Kory, que ganhou notoriedade durante a pandemia por defender o uso de medicamentos sem eficácias comprovadas para o tratamento da Covid-19, como a ivermectina, azitromicina e cloroquina.
“Na guerra contra o coronavírus ou Covid-19, ou seja lá que nome a peste tenha, informação é arma poderosa. O golpe está aí, cai quem não se informa. Cai quem aceita ficar só com um tipo de informação. Cada um é responsável por suas opções”, escreveu a atriz na legenda do vídeo.
Horas antes, compartilhou outro vídeo, desta vez com Felipe Titto relatando sua experiência ao tomar o chamado “kit covid”. O ator contraiu a doença após ser flagrado participando de eventos com aglomerações durante o auge da pandemia.
“Não consigo dormir com a consciência em paz se não partilhar este depoimento com vocês. Sinto que precisamos de um contraponto diante dos agressivos e infindáveis anúncios derrotistas que os agentes do vírus vem impondo à nossa gente”, escreveu a atriz em parte de sua postagem.
Defendido à exaustão pelo presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, o “kit covid” tem causado efeitos degradantes à saúde de parte da população. De acordo com reportagem recente do jornal O Estado de S.Paulo, pacientes que se submeteram ao uso destes medicamentos agora estão na fila de transplantes para conseguirem um novo fígado.
Natal
Mesmo após a orientação da Associação Médica Brasileira de que o uso de remédios sem eficácia contra Covid-19 deve ser banido, a Prefeitura de Natal mantém a distribuição da ivermectina para pacientes.
A distribuição do remédio acontece nos Centros Covid criados pela prefeitura para atender pacientes com sintomas na doença. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que o protocolo de tratamento da Covid-19 inclui mais de 10 medicamentos que podem ser ou não receitados pelo médico. Dentre eles, está a ivermectina.
Quando o medicamento é receitado em uma das unidades de atendimento do município ele é fornecido de forma gratuita para o paciente.
Em nota, a Prefeitura de Natal informou que adotou um protocolo aprovado pelo CRM RN que prevê uma série de ações de acordo com as fases da doença. “Os medicamentos só são dispensados com receita médica. O ato médico é soberano. Não há qualquer interferência da administração na decisão médica sobre o tratamento a ser adotado”, diz a nota.
O Ministério Público Estadual abriu investigação sobre a distribuição do medicamento sem eficácia contra a Covid-19, após o recebimento de pelo menos três denúncias sobre tal prática.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) foi uma das que entrou com representação no MP contra o prefeito Álvaro Dias. Em resposta à representação o MP informou que “com relação ao uso profilático da ivermectina, já há, no âmbito desta CJUD, Notícia de Fato em andamento, a fim de apurar a possível prática dos crimes previstos nos artigos 268 e 280 do Código Penal, pelo Prefeito de Natal/RN, Álvaro Costa Dias, em decorrência da propagação do uso da Ivermectina como meio substitutivo ao uso da vacina para imunização coletiva”. O Ministério Público informou que as investigações estão em andamento e seguem em segredo de justiça.
O uso da ivermectina é defendido pelo prefeito da capital, Álvaro Dias (PSDB) – que é médico, desde o ano passado. Em junho, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal passou a fornecer a Ivermectina, um antiparasitário, para profissionais da saúde, como medida de “prevenção” à Covid-19.
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