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Mundo Após suspender voos, a França aperta as restrições a viajantes brasileiros

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A capital francesa reduziu a validade de testes e controlará com mais rigor o cumprimento da quarentena de 10 dias.

Foto: Divulgação
As determinações serão implementadas gradualmente até o dia 24. (Foto: Reprodução)

O governo da França decretou no sábado (17) um aumento das restrições para viajantes que passaram por Brasil, Argentina, Chile e África do Sul, que agora precisarão cumprir uma quarentena de dez dias ao desembarcarem no território francês. O decreto vem quatro dias depois de Paris anunciar a suspensão de todos os voos que tenham como origem ou destino o Brasil.

As medidas, que valem por tempo indeterminado, devem-se à preocupação crescente com as variantes da covid-19, mais contagiosas e possivelmente mais letais. Há um temor especial com a P.1., responsável pelo agravamento da crise sanitária em território brasileiro nos últimos meses.

Pessoas vindas do território brasileiro já precisavam se comprometer a cumprir uma quarentena de sete dias ao chegarem na França, bem como realizar um teste PCR ao final do período. Mas a falta de controle da adesão às medidas era motivo de preocupação entre os franceses.

Agora, as novas regras obrigam uma quarentena de dez dias e criam um sistema para verificar, antes do embarque e na chegada, se há um lugar adequado para a realização do isolamento. O cumprimento das diretrizes será acompanhado por policiais e guardas franceses. As multas para quem desrespeitá-las também serão endurecidas para valores ainda não especificados.

As determinações, anunciadas pelo escritório do primeiro-ministro Jean Castex, serão implementadas gradualmente até entrarem em vigor por completo no dia 24, afetando inclusive aqueles que vêm da Guiana Francesa. As últimas ordens também limitam ainda mais as pessoas que estiveram nos últimos 14 dias no Brasil, na Argentina, no Chile e na África do Sul de poderem ingressar no território francês.

Agora, a entrada será prioritariamente restrita a franceses e parentes imediatos, além de outros cidadãos da União Europeia que residam na França. Para embarcarem, precisarão mostrar um teste PCR negativo realizado até 36 horas antes do voo, ou um teste realizado há até 72 horas, acompanhado de um teste de anticorpos negativo, realizado até 24 horas de antecedência. Um segundo teste de antígenos será realizado no desembarque, informa o governo francês.

Apesar de terem suspendido os voos que têm como origem e destino o Brasil, Paris anunciou que manterá as linhas que fazem trechos com a Argentina, o Chile e a África do Sul. A decisão, afirmou o escritório de Castex, ocorre porque os países “não têm os mesmos níveis de covid-19 observados no Brasil”.

Má fama brasileira

As medidas vêm em meio a alertas sobre o “surto infernal” que devasta o território nacional, como caracterizou Bruce Aylward, conselheiro da Organização Mundial de Saúde (OMS), em entrevista coletiva. Dos países que fazem fronteira com o Brasil, apenas o Paraguai mantém as fronteiras abertas, apesar da pressão interna para que elas sejam fechadas.

Em março, o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, disse que cerca de 6% dos casos de covid-19 no país eram causados pelas variantes brasileira e sul-africana. A que predomina no território francês é a cepa britânica B.1.1.7, que sobrecarrega os hospitais de Paris e levou o governo a acirrar as restrições de circulação dentro no país.

Em 31 de março, o presidente Emmanuel Macron decretou para todo o país a ampliação da quarentena, que até então era apenas em partes da França. Os franceses fecharam o comércio não essencial, escolas e creches. Proibiram também o deslocamento a uma distância de mais de 10 km e mantiveram um toque de recolher, em vigor desde 2020, das 19h às 6h.

Os casos no país já dão sinais de queda, diminuindo 12% nas últimas duas semanas. Já os óbitos mantêm-se estáveis, com tendência de queda. Segundo dados do ministério da Saúde francês, o país hoje soma 5,2 milhões de casos de covid-19, com 100,4 mil mortes.

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