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Mundo Destituído do seu partido, o presidente do Zimbábue não renuncia e pretende presidir transição

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Presidente fez pronunciamento pela TV. (Foto: Reprodução)

Após pressão de seu partido para renunciar à presidência do Zimbábue, Robert Mugabe, líder do país há 37 anos, fez neste domingo (19) um longo discurso na TV estatal ZBC (Zimbabwe Broadcasting Corporation), mas não renunciou.

Mugabe recebeu neste domingo um ultimato da liderança do seu partido, o ZANU-PF: segundo líderes, caso Mugabe não deixasse o cargo até o meio-dia de segunda-feira (20), os procedimentos para um impeachment seriam iniciados.

Mugabe se reuniu com o Exército do país na tarde desse domingo e fez o discurso na TV estatal em seguida.

“Eu acredito que as questões que foram me trazidas vêm da vontade de garantir a estabilidade do país”, disse, reforçando que a lei e a ordem do Zimbábue devem ser preservadas.

“Eu estou feliz que os pilares do estado permanecem funcionais”, disse. “Há uma tradição de resistência, que é o nosso legado”, concluiu.

Durante o pronunciamento, também se referiu à economia do país, que está em uma “situação difícil”. “Vamos inaugurar uma nova cultura de trabalho […] que vai mudar a nossa economia”.

Também neste domingo, Mugabe foi afastado da liderança do partido, e substituído por Emmerson Mnangagwa, ex-vice-presidente do país. A mulher de Mugabe, Grace, que ambicionava suceder o presidente, também foi expulsa do ZANU-PF. Até poucos dias, ele era o vice-presidente do Zimbábue, até ser demitido por Mugabe.

Mnangagwa, por sua vez, se torna o novo líder do partido e vai ser indicado pelo ZANU-PF à presidência do Zimbábue, segundo o ministro de cibersegurança Patrick Chinamasa.

Entenda a crise

A crise no Zimbábue começou no início da semana, quando militares informaram ter começado uma operação contra “criminosos” próximos ao presidente Robert Mugabe, tomando as ruas e assumindo o poder.

Isso aconteceu uma semana depois da queda do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que começava despontar como possível sucessor de Mugabe (e agora assume seu lugar na liderança do partido).

Mnangagwa foi demitido por deslealdade e sua saída foi vista como uma estratégia para ascender a primeira-dama Grace Mugabe ao poder.

Mugabe e a esposa chegaram a ficar confinados em sua mansão de luxo, conhecida como “Blue Roof”, por imposição dos militares. No sábado, um sobrinho do líder havia dito que ele estava “pronto para morrer pelo que é correto” e não tinha nenhuma intenção de deixar o poder.

Decano dos chefes de Estado em atividade, sob o regime de Mugabe o país africano empobreceu muito e desde o início dos anos 2000 lida com um desemprego em massa – cerca de 90% da população ativa – e uma falta de liquidez que atrasa o pagamento dos salários dos funcionários.

O Reino Unido observa com cuidado a situação na ex-colônia britânica. A primeira-ministra, Theresa May, pediu que todos os lados evitem a violência. A União Europeia falou em situação preocupante, apelando para uma resolução pacífica da crise.

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