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Economia Apuração dos Estados Unidos sobre trabalho escravo envolve 59 países e está próxima do fim; temor é de tarifa adicional aos 25%

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Empresários brasileiros temem uma nova penalidade como resultado de investigação em curso sobre a prática de trabalho análogo à escravidão no Brasil. (Foto: Reprodução)

Depois de o País ser alvo de nova tarifa, de 25%, anunciada pelo governo dos EUA por alegadas “práticas incoerentes” na economia, empresários brasileiros já temem uma nova penalidade ainda neste mês, agora como resultado de investigação em curso sobre a prática de trabalho análogo à escravidão no Brasil.

De acordo com informações do do jornal O Estado de S. Paulo, as investigações sobre trabalho forçado foram abordadas na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, no mês passado. O Brasil enfrenta uma denúncia por déficit de fiscais do Trabalho, que foi remetida ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, as informações que vêm dos EUA apontam que a nova tarifa pode ser aplicada ainda em junho. “Estamos esperando para os próximos dias, não vai tardar, o resultado da outra 301 (seção da lei de comércio americana), que é contra 59 países mais a União Europeia, sobre trabalho escravo. A nossa previsão é de que ela vai sair logo, e que o Brasil estará condenado junto com alguns outros países”, disse Velloso.

A percepção é a mesma de Welber Barral, conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), presidente do IBCI e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil. “Deve sair ainda este mês. Pelo menos, é o que a gente sabe vindo de Washington”, afirmou.

Após a derrubada do tarifaço pela Suprema Corte dos EUA, a apuração foi aberta em março pelo USTR contra 59 países e a União Europeia, sob alegação de verificar o impacto e restrições no comércio americano por falhas desses países para impor e aplicar de forma efetiva a proibição à importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

Velloso, da Abimaq, aposta em uma nova tarifa de 10%, que se somaria à taxa de 25% anunciada esta semana. “Se isso acontecer, como estamos prevendo, o Brasil ficaria com uma tarifa de 35% – o que é um grande problema”, disse.

O governo brasileiro esperava que essa decisão demorasse mais tempo, por envolver dezenas de países – ou seja, uma tarifa com impacto global. O Brasil não mandou representantes à audiência pública nos EUA que tratou do tema em abril, mas o chanceler Mauro Vieira enviou carta ao país com as explicações.

O governo alega que toma medidas para combater o trabalho escravo, mas reconhece que há dificuldades para provar que não compra produtos de países que adotam essa prática. Interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Estadão entendem que Washington tem como alvo a China, que exportaria produtos baratos, mas sem respeitar direitos trabalhistas básicos.

Velloso diz que, diferentemente do tarifaço de 2025, desta vez há negociações já abertas entre os dois países, um canal de comunicação entre os presidentes Lula e Trump e a indicação enviada ao Senado americano do novo embaixador para o Brasil.

Ele entende também que o Brasil tem argumentos técnicos sólidos para se defender das duas investigações – a que trata do trabalho escravo e a que foi anunciada nesta semana. Contudo, acredita que o País será punido em ambas as investigações, por questões políticas que interferem na decisão do governo americano.

“Continuo com a mesma opinião de que, embora o cenário seja diferente do existente no ano passado, (o País) vai ser tarifado. Por quê? Por causa de questões políticas. Por mais que nós tenhamos argumentos técnicos, mesmo assim eles estão sinalizando com essa tarifa de 25%, porque tem o peso político”, afirmou o presidente da Abimaq. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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